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Militares nomeiam novo premiê do Egito, diz TV estatal

Milhares de manifestantes se reuniram hoje na Praça Tahrir, no Cairo

Novo premiê é apontado no Egito, diz TV estatal
Novo premiê é apontado no Egito, diz TV estatal Foto : Mahmud Has / AFP / CP
O chefe do conselho militar do Egito encarregou Kamal al-Ganzuri, de 79 anos, de liderar um novo gabinete de transição no país, informou a televisão estatal nesta sexta-feira. O novo premiê já ocupou o cargo anteriormente, durante o regime do presidente deposto Hosni Mubarak.

"O marechal Hussein Tantawi decidiu nomear o dr. Kamal al-Ganzuri como novo primeiro-ministro, dando a ele totais poderes", afirmou a televisão. Milhares de pessoas se reúnem no Cairo para pressionar a junta militar a deixar o poder nas mãos de um governo civil e acelerar a transição democrática e a realização de eleições. As informações são da Dow Jones.

Protestos prosseguem

Milhares de egípcios se reuniram nesta sexta-feira na emblemática Praça Tahrir do Cairo para participar em uma manifestação para exigir, mais uma vez, que os militares abandonem o poder. As ruas que levam ao ministério do Interior, perto da praça, onde aconteceram confrontos violentos nos últimos dias, permaneciam bloqueadas. 

Os manifestantes, que ocupam a Praça Tahrir pelo oitavo dia consecutivo, pedem que o Exército deixe imediatamente o poder. Também exigem que os responsáveis pelas mortes 41 pessoas - 36 delas no Cairo - durante os confrontos dos últimos dias sejam julgados.

"Sexta-feira é a última oportunidade: estabilidade ou caos", afirma o jornal governamental Al-Ahram na primeira página. "Sexta-feira crucial", afirma no mesmo tom o jornal Al-Ajbar, três dias antes do início das primeiras eleições legislativas organizadas depois da queda de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro.

Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), se uniu aos manifestantes. ElBaradei, que sonha com a presidência egípcia, se reuniu com dezenas de milhares de pessoas na praça, palco dos protestos contra os militares no poder.

Os manifestantes também querem o fim do poder militar e a saída do principal comandante das Forças Armadas, o marechal Hussein Tantawi, acusado de perpetuar o regime de Mubarak.

Agressões sexuais a jornalistas

Em função da situação, a organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) recomendou aos meios de comunicação internacionais que não enviem mulheres jornalistas ao Egito, depois de uma série de agressões sexuais.

Na quinta-feira, uma jornalista egípcio-americana acusou a polícia do Egito de tê-la agredido sexualmente durante horas. Uma repórter francesa também denunciou agressões sexuais durante uma manifestação no Cairo.

"Esta é pelo menos a terceira vez que uma repórter é agredida sexualmente desde o início da revolução egípcia. As redações devem levar isto em consideração e deixar momentaneamente de enviar mulheres jornalistas ao Egito", afirma a RSF em um comunicado.

"Além de me golpearem, aqueles cachorros (referindo-se à polícia antidistúrbios) me submeteram às piores agressões sexuais", escreveu a egípcia Mona al-Tahawy no Twitter. Ela disse ter sido liberada na quinta-feira após 12 horas.

Já a jornalista francesa Caroline Sinz disse à AFP ter sido "agredida por uma multidão de homens" que lhe arrancaram a roupa na praça Tahrir, onde ela estava junto de um câmera. "Algumas pessoas tentaram me ajudar, mas não conseguiram. Eu estava sendo linchada. Durou cerca de três quartos de hora", disse, até que algumas pessoas presentes conseguiram ajudá-la e ela voltou a seu hotel no Cairo.


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