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Militares venezuelanos prometem "lealdade" a Maduro

Presidente fez manifestação de força às vésperas de grande protesto opositor

Maduro agradeceu o apoio da cúpula castrense: "amor com amor se paga, lealdade com lealdade se paga", disse ao iniciar seu discurso, no ato que homenageia a milícia civil
Maduro agradeceu o apoio da cúpula castrense: "amor com amor se paga, lealdade com lealdade se paga", disse ao iniciar seu discurso, no ato que homenageia a milícia civil Foto : Federico Parra / AFP / CP
A dois dias de uma grande manifestação contra o governo, o presidente Nicolás Maduro recebeu nesta segunda-feira a promessa de "lealdade incondicional" das Forças Armadas da Venezuela, a qual a oposição acusa de ser a única que sustenta o chavismo no poder. "A Força Armada Nacional Bolivariana preserva sua unidade monolítica, granítica e ratifica sua lealdade incondicional ao senhor presidente", disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, em uma concentração liderada por Maduro nos arredores do Palácio de Miraflores, a sede do governo.

Usando quepe, Maduro agradeceu ao apoio da cúpula castrense: "Amor com amor se paga, lealdade com lealdade se paga", disse ao iniciar seu discurso, no ato que homenageia a milícia civil. Cercado pelo alto comando militar, o presidente socialista chegou a Miraflores em um jipe, em meio a milhares de milicianos que o ovacionavam com o punho em riste.

Neste ato, Maduro anunciou a expansão do corpo da milícia, formado por civis armados, para 500 mil membros. O presidente prometeu garantir por meio da Força Armada "uma arma para cada miliciano, uma arma para cada miliciana". O líder opositor Henrique Capriles avaliou que a decisão revela o "desespero" do atual governo. "A Venezuela não quer fuzis, quer comida e medicamentos".

Em seu discurso, Maduro ameaçou: "Não é tempo de traidores, não é tempo de traição, não é tempo de vacilantes; que cada qual se defina se está com a pátria ou contra ela". Na noite de domingo, o presidente ordenou que os militares desfilassem e saíssem às ruas nesta segunda-feira para reafirmar a "união cívico-militar" com a qual governa a Venezuela e para homenagear a milícia, criada há sete anos por Chávez.

As demonstrações de força ocorrem na véspera da marcha que a oposição convocou para quarta-feira, quando é comemorado o primeiro grito independentista venezuelano, a fim de exigir eleições e respeito à autonomia do Parlamento. A oposição promete que na quarta ocorrerá "o início do fim" e "a mãe de todas as marchas", mas o governo também assegura que neste dia encherá as ruas de Caracas.

Padrino López acusou nesta segunda-feira o comando opositor de executar, com apoio de grupos da "extrema direita" no exterior, uma "agenda criminosa" que inclui "atos terroristas, distúrbios, roubos, vandalismo e diferentes formas de violência". Organização não governamentais denunciaram uma "forte repressão", com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e, inclusive, armas de fogo.

"A ação do Estado não pode ser chamada de repressiva se visa a restituição da ordem pública", respondeu Padrino López. Onze países latino-americanos pediram à Venezuela, nesta segunda-feira, que "garanta" o direito à manifestação pacífica, a dois dias de uma grande marcha contra o governo de Nicolás Maduro.

Em um comunicado conjunto, Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Paraguai, Peru e Uruguai "reafirmam sua rejeição à violência" e manifestam seu "profundo pesar e repúdio à morte de seis cidadãos durante os protestos" ocorridos nos últimos dias. A Força Armada tinha amplo poder durante o governo de Chávez, mas sua influência aumentou com Maduro.