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Mineiros se oferecem para sair por último em operação que levará 48 horas

Jornal espanhol diz que a intenção é bater o recorde de permanência embaixo da terra

A poucos dias do resgate, mineiros se oferecem para sair por último
A poucos dias do resgate, mineiros se oferecem para sair por último Foto : AFP
Os 33 mineiros presos há mais de dois meses no fundo da mina San José, no Chile, estão ansiosos para voltar à superfície, mas demonstraram solidariedade e companheirismo nestes últimos momentos de drama, oferecendo-se para sair por último. "Gostaria de ilustrar o que eles estão vivendo hoje com uma conversa que tivemos ontem (sábado): eu falei com eles para explicar que precisamos estabelecer uma ordem de subida, e que esta ordem seria determinada de acordo com eles e com base em razões técnicas", relatou o ministro da Saúde, Jaime Mañalich. De acordo com o jornal El Mundo da Espanha, porém, a intenção de alguns dos trabalhadores seria bater o recorde de permanência embaixo da terra.

"E qual foi a reação deles? 'Ministro, muito bem, mas eu quero ir por último'. Depois outro disse: 'não compadre, eu havia dito que vou por último'. 'Não, eu serei o último!', respondeu um terceiro". "Eles mantêm um ânimo completamente admirável, de solidariedade e companheirismo", afirmou Mañalich.

Em relação à saúde do grupo, o ministro destacou que os 33 "se mantêm em ótimas condições. As pessoas que estão lá no fundo da mina não são pacientes, são pessoas saudáveis que até o dia do acidente estavam trabalhando normalmente". "São 33 pessoas maduras, completamente capazes de cuidar de si, e que conseguiram enfrentar um teste provavelmente nunca antes vista na história do ser humano".

Governo chileno estima que resgate leve 48 horas

O ministro chileno da Mineração, Laurence Golborne, estimou que a operação de resgate deve durar até 48 horas. Neste domingo, a equipe que trabalha na perfuração do acesso ao local onde estão os trabalhadores começou o trabalho de revestimento do duto de 622 metros. Segundo Golborne, esse trabalho estará concluído até as 9h de segunda-feira.

Inicialmente, a estimativa é que os trabalhadores da mina comecem a ser retirados na parte da tarde da quarta-feira. Mas o ministro disse que, dependendo das condições do duto depois do revestimento, é possível começar o resgate na manhã de quarta. O revestimento é feito com uma espécie de material metálico para dar estabilidade ao túnel e não haver desmoronamentos. Segundo a agência oficial de notícias do Paraguai, IP Paraguay, serão revestidos 96 metros do duto, o suficiente para dar estabilidade à descida da cápsula especial desenvolvida pela Marinha do Chile para o resgate e também à subida dos 33 mineiros. Uma pessoa por vez subirá pela cápsula, que descerá inicialmente levando um médico para atendimento emergencial ainda debaixo da superfície. O duto tem 65 centímetros de diâmetro, segundo a TV chilena.

O ministro da Saúde informou que a dieta dos mineiros soterrados permanecerá a mesma até horas antes do resgate. Desde que comprovou-se que estavam vivos e estabeleceu-se o contato com os mineiros, eles se alimentam normalmente, tendo as três refeições principais, intercaladas por lanches. Mas, horas do resgate, para enfrentar a subida de 622 metros, eles se terão apenas uma dieta líquida, segundo Mañalich. “Para que estejam fortes o suficiente e não tenham enjoo ou queda de pressão”, explicou o ministro. A dieta será enriquecida com carboidratos, proteínas e vitaminas para dar aos mineiros “uma reserva calórica e energética que os permitam dar conta do estresse psicológico que certamente vão sofrer durante a subida”.

Mañalich explicou ainda que os riscos para os mineiros enquanto estiverem na cápsula são: queda de pressão arterial, o que poderia levar a um desmaio, e também o desenvolvimento de uma trombose, já que estão sem muito espaço para movimentar-se debaixo da terra. Por isso, os mineiros vão tomar uma dose de aspirina e terão um suporte de oxigênio durante a subida e terão as pernas enfaixadas.

Assim que saírem do túnel, eles serão levados a um hospital de campanha montado na área da mina, que fica em Copiapó, a cerca de 800 quilômetros ao norte da capital, Santiago. Depois, encontrarão seus parentes e serão levados de helicóptero a outro hospital, onde, segundo o ministro, passarão, no mínimo, dois dias para se restabelecerem completamente.



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