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Minerais e posição estratégica: por que Trump cobiça a Groenlândia?

Subsolo groenlandês abriga 25 dos 34 minerais considerados essenciais pela União Europeia

Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca com 80% de sua área coberta por gelo
Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca com 80% de sua área coberta por gelo Foto : OLIVIER MORIN / AFP

A Groenlândia, território autônomo da Dinamarca com 80% de sua área coberta por gelo, consolidou-se como o epicentro de uma disputa geoestratégica global. O interesse do presidente americano, Donald Trump, pela ilha de 2,16 milhões de km² fundamenta-se em dois pilares: a vasta riqueza mineral inexplorada e sua localização privilegiada para a segurança nacional dos Estados Unidos.

Terras raras

Desde 2009, o governo local detém autonomia sobre seus recursos naturais, buscando reduzir a dependência financeira de Copenhague, que ainda provê um quinto do PIB da ilha. Os solos groenlandeses estão extremamente bem cartografados, o que permitiu elaborar um mapa detalhado dos recursos.

O subsolo groenlandês abriga 25 dos 34 minerais considerados essenciais pela União Europeia, incluindo as cobiçadas terras raras, tântalo e nióbio.

Projetos como a mina de ouro e metais críticos da Amaroq e a iniciativa Tanbreez, da Critical Metals, visam extrair zinco, chumbo e elementos semicondutores como germânio e gálio. Washington formalizou o interesse nesse setor já em 2019, através de um memorando de cooperação focado na garantia de suprimentos tecnológicos.

Importância geoestratégica e o escudo antimísseis

Historicamente ligada aos EUA desde a Segunda Guerra Mundial, a Groenlândia é um elo vital do sistema de defesa americano. A base militar de Pituffik (Thule), no nordeste da ilha, opera como um posto avançado do escudo antimísseis.

Com o degelo das rotas marítimas árticas, a vigilância do espaço aéreo e submarino tornou-se uma prioridade compartilhada entre Washington e Copenhague.

Tensões diplomáticas e a presença da Otan

Situada entre o Atlântico Norte e o Ártico, perto dos Estados Unidos, do Canadá e da Rússia, a Groenlândia ocupa uma posição geográfica estratégica.

Donald Trump tem elevado o tom contra a Dinamarca, alegando que o país não garante a segurança do território frente à influência de Rússia e China. Copenhague, por sua vez, refuta as críticas e destaca investimentos bilionários em patrulheiros árticos e radares costeiros.

Às vésperas de reuniões de alto nível com o vice-presidente J. D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio, a Dinamarca prometeu reforçar seu contingente militar e ampliar a interlocução com a Otan para fortalecer a presença da Aliança no Ártico, tentando equilibrar a soberania dinamarquesa com as exigências expansionistas de Washington.