Os incêndios em Los Angeles já são os mais devastadores da Califórnia em quatro décadas. Os EUA estão em pleno inverno - época em que incêndios florestais não costumam ocorrer -, mas a combinação de ventos fortes e vegetação seca resultou milhares de hectares consumidos pelas chamas.
Um levantamento da Associated Press aponta que de 423 incêndios na Califórnia com pelo menos 39 quilômetros quadrados desde 1984, apenas 4 ocorreram no inverno. Dois terços ocorreram em junho, julho ou agosto, verão no Hemisfério Norte. Mas o que estaria por traz das chamas?
Os primeiros culpados são os ventos de Santa Ana, que ocorrem quando o ar frio se acumula nos Estados vizinhos de Nevada e Utah. À medida que esta massa de ar se desloca para as montanhas da Califórnia, ela se aquece e seca. Na semana passada, estes ventos atingiram 160 km/h - a velocidade do vento e a propagação das chamas estão diretamente relacionadas.
Incomum
Os incêndios de verão são maiores, mas não queimam tão rápido. "Os de inverno são mais destrutivos porque acontecem mais rápido", disse Jon Keeley, especialista do US Geological Survey
O Serviço Nacional de Meteorologia previu um "comportamento extremo do fogo", ao ser exposto a ventos de até 110 km/h. "O impacto aumenta conforme a velocidade do vento", disse Mike Flannigan, da Universidade Thompson Rivers, no Canadá. Se os bombeiros chegarem às chamas em 10 minutos, a propagação pode ser contida, mas em 15 minutos já é tarde demais."
Há um cenário cada vez mais atípico no mundo, graças às mudanças climáticas. Nos últimos dois anos, a Califórnia viveu invernos rigorosos, com muitas chuvas no sul do Estado. A quantidade de água fez com que plantas crescessem, especialmente gramíneas e arbustos, o chamado "combustível fino", como explica Daniel Swain, da UCLA.
Os invernos foram seguidos de um calor recorde, entre verão e outono, e um período de seca no momento em que o Estado deveria receber chuva. Segundo a NBC News, a última vez que Los Angeles registrou mais de 2,54 mm de chuva foi em maio. "Como resultado, gramíneas e arbustos secaram, preparando o cenário para que o vento espalhasse o fogo", disse Swain. De acordo com os meteorologistas, as condições de vento e seca ainda não acabaram.