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Mohamed ElBaradei será o novo premiê do Egito

Nobel da Paz ficará no cargo durante a administração militar

Diplomata foi convocado ao palácio presidencial
Diplomata foi convocado ao palácio presidencial Foto : Stringer / AFP
O líder egípcio e Nobel da Paz Mohamed ElBaradei assumirá o posto de primeiro ministro do Egito após a deposição de Mohamed Mursi pelo Exército do país e deve ficar no cargo durante a administração militar. Conforme a rede CNN, a notícia veio depois que a mídia estatal informou que o diplomata foi convocado ao palácio presidencial pelo presidente interino Adly Mansour para conversações.

A justiça egípcia deu início neste sábado aos interrogatórios de diversas autoridades da Irmandade Muçulmana, acusadas de "incitação à morte" de manifestantes, informou a agência oficial Mena. A agência explicou que a justiça interrogou neste sábado Mehdi Akef, ex-Guia Supremo da confraria; Khairat al-Chater, atual número dois que foi preso nesta madrugada; Saad al-Katatni, líder do Partido da Liberdade e da Justiça, vitrine política da Irmandade Muçulmana; e Rached Bayoumi, adjunto do Guia. Katatni e Bayoumi passaram dois dias na prisão antes de serem libertados na noite de sexta-feira, depois que o Ministério Público confirmou "o local de residência dos dois homens", disse a agência.

Os interrogatórios acontecem três dias após o golpe militar que derrubou Mursi, também membro da Irmandade. Os líderes da confraria devem responder por "incitação à morte" de nove manifestantes e pela tentativa de incitação à morte de diversos outros que participaram de um ataque no último domingo contra a sede da Irmandade Muçulmana em Mokattam, na periferia do Cairo. Katatni e Bayoumi ainda são acusados de "incitação à morte" de manifestantes hostis à confraria durante confrontos nos arredores da Universidade do Cairo.

Após o golpe do exército, a justiça emitiu 300 mandados de prisão contra membros da Irmandade Muçulmana e prendeu seus principais dirigentes. O ex-presidente Mursi continua detido pelo exército.

ElBaradei, ex-líder da agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), encabeça uma coalizão de partidos liberais e esquerdistas. Em entrevista à BBC na quinta-feira, ele defendeu o golpe militar e a deposição de Mursi, alegando que, apesar de ser "uma medida dolorosa que ninguém queria, Mursi minou sua própria legitimidade ao se autodeclarar um faraó. Então entramos em uma queda de braço, e não em um processo democrático", afirmou.

O departamento de Estado dos EUA conclamou os líderes egípcios a acabarem com a violência e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu mais proteção aos manifestantes - em especial às mulheres. O comunicado de Ban Ki-moon mencionou "relatos horripilantes de violência sexual". 

O Exército egípcio também publicou um comunicado em sua página no Facebook negando que alguns comandantes estejam fazendo pressão sobre os altos escalões das Forças Armadas do país para um restabelecimento do governo de Mursi.

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