Ciudad Vieja
Os conflitos entre Espanha e Uruguai pelo domínio de Montevidéu fizeram com que a cidade fosse cercada com o objetivo de segurança nos primeiros anos de sua história. Montevidéu era protegida por altas muralhas em seus limites terrestres – a parte do Rio da Prata se protegia com canhões mesmo. A área cercada é onde fica hoje o bairro Ciudad Vieja. Fora dali, cerca de dois séculos atrás, era mato do pampa.
Hoje, ainda há resquícios dos muros. Na Praça da Independência existe a “Porta da Cidade”, local que dá para ter ideia do tamanho da construção. Nos arredores, também foram preservados partes dos muralhas.
Ciudad Vieja, que vai do porto até a Praça da Independência, inclusive, é um dos passeios imperdíveis de Montevidéu. Prédios antigos, arquitetura colonial etc levam os transeuntes a uma nostálgica viagem no tempo, por entre lugares como as praça Zabala, a Igreja Matriz e a calle Sarandí.
Azulejo colorido
Algo bem curioso de Ciudad Vieja é um anônimo colaborador. Como em qualquer canto do mundo, muitas partes das calçadas quebram, gerando pequenos buracos aos pedestres. Mas Montevidéu conta com este colaborador, que ninguém sabe quem é. Ele preenche os obstáculos com pedaços de azulejos coloridos e, além de resolver o problema, colore o cinza da calçada.
Teatro Solis
Dentre os vários prédios centenários de Ciudad Vieja, o Teatro Solis é um ponto obrigatório de visitação. Fundado em 1856, a casa, reaberta em 2005, é um monumento cultural da capital uruguaia. Construída no estilo italiano - que lembra bastante o Theatro São Pedro - o Solis, por si só, é um espetáculo a parte.
Diz a tradição, que seus cinco andares também significavam status social do público. Quanto mais embaixo, próximo a plateia, melhor. Até por isso, a galeria mais alta tinha o apelido de "poleiro" antigamente.
Av. 18 de Julio
Em 18 de julho de 1830, foi assinada a primeira constituição do Uruguai – que recém havia se tornado um país independente, ao separar-se do Brasil. Tal fato batizou uma das principais vias de Montevidéu. A avenida, passados 170 anos, tornou-se um importante centro comercial e cultural a céu aberto. Ao longo de seu asfalto, há diversas lojas de variados produtos. Livros, músicas, artesanato, roupas etc. Há aos montes.
Além disso, alguns seus prédios e monumentos atraem flashes de turistas. Caminhando poucos quilômetros, encontra-se a Universidad de La República, a Biblioteca Nacional, o Museu da moeda e do gaúcho e por aí vai – todos valendo ao menos uma fotografia de lembrança.
Amor para sempre
E dentre os vários estabelecimentos comerciais da avenida 18 de Julio, em um lugar se encontra o amor. Ou pelo menos, garante-se ele. Reza a lenda que o casal que quer garantir o amor eterno, os apaixonados devem colocar suas iniciais em um cadeado e fechá-lo na Fuente de los candados, localizada em uma das esquinas. Por via das dúvidas, algumas centenas já fizeram isso.
Futebol
1930: a seleção uruguaia de futebol era então a atual bicampeã olímpica no futebol. Por isso, o país foi escolhido pela Fifa para receber o primeiro campeonato mundial da modalidade naquele ano, que, por coincidência era o de número 100 desde a independência uruguaia.
Por conta do grande evento, foi erguido o estádio Centenário, que sediou a grande final da competição, vencida também pelos anfitriões. Hoje, o Centenário é palco, além de jogos do campeonato nacional e da Libertadores, de diversos shows. Além disso, é lá que fica o museu do futebol, uma gostosa viagem aos amantes da bola.
Montevidéu é a cidade-sede de quase todos os times da primeira divisão. As equipes mais tradicionais do país são Nacional e Peñarol, que já foram campeãs mundiais. Na edição deste ano da Libertadores, o Inter terá pelo menos um adversário uruguaio pela frente: o Cerro, também da capital.
Praias
Montevidéu também tem praias. Aliás: 10 praias. Uma das mais badaladas é a de Pocitos, a "Pequena Copabacana" da capital uruguaia. Planejada, os prédios na avenida que faz o contorno da orla - a rambla - têm entre 11 e 13 andares. Isso para as construções não tirarem o sol dos banhistas.
A água ora é doce, ora é salgada, a depender do vento que sopra no Rio da Prata. Se Leste, a água vem do Oceano Atlântico e logo é salgada. Caso a brisa venha do Sul, doce.
Tango
Buenos Aires tem mais fama, mas o tango também é bastante difundido no Uruguai. Tal qual na capital do país vizinho, se vê casais dançando o ritmo no meio da rua, atraindo os olhares curiosos de turistas e dos próprios moradores - de todas as idades -, fãs da melodia.
E falar de tango é o mesmo de falar de Carlos Gardel, ícone maior do gênero. Falecido no já distante ano de 1935, em um acidente aéreo, até hoje sua imagem é venerada em qualquer margem do Rio da Prata.
Argentinos e uruguaios, aliás, discordam do local de nascimento do ídolo. Enquanto os portenhos afirmam que Gardel veio ao mundo em Tolouse, na França, os uruguaios garantem que ele nasceu no departamento de Tacuarembó, próximo à fronteira com o Brasil.
Reza a lenda que o cantor procurava não se envolver nessa "disputa". Gardel se dava bem com ambos os lados, tanto que teria visitado os vestiários de Uruguai e Argentina, quando as duas seleções decidiram a Copa do Mundo de 1930. Questionado sobre sua origem, era evasivo e dizia: "Nasci em Buenos Aires, aos dois anos e meio de vida".
Política
O Uruguai passou recentemente por eleições nacionais. O vencedor foi o ex-guerrilheiro José Mujica, da Frente Ampla Nacional, partido de centro-esquerda, o mesmo do atual presidente Tabaré Vasquez. Ele assumirá o governo no próximo dia 1º de março.
Para a data, os montevideanos preparam uma festa. Por toda a cidade, é possível ver as cores vermelhas, azuis e brancas, do símbolo do partido, pintadas em muros e postes, além de diversas bandeiras - que ficam idênticas a da Rússia - em janelas de prédios.
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