De acordo com um morador de Tajuar, os alto-falantes da mesquista local não paravam de fazer pedidos de ajuda, e, ainda assim, o ataque não cessou. O regime líbio do coronel Muamar Kadhafi, no poder há 42 anos, lançou nesta segunda uma feroz repressão para tentar sufocar uma rebelião que tomou o controle de várias cidades e provocou deserções no governo. A televisão estatal anunciou uma operação das forças de segurança "contra os sabotadores e os que semeiam o terror", durante a qual "várias pessoas morreram", sem informar o local dos confrontos ou o número de falecidos.
Pelo menos 61 pessoas morreram nesta segunda-feira na capital da Líbia, segundo a rede de televisão árabe Al Jazeera. Uma força militar em aviões, munida de armas pesadas, abriu fogo contra manifestantes na tarde de hoje, disseram testemunhas.
O espaço aéreo de Trípoli está fechado até nova ordem, informou um porta-voz do exército austríaco, que tentava evacuar os cidadãos europeus para Malta a bordo de um avião militar. Poucas horas antes, dois pilotos de aviões militares líbios aterrissaram em Malta afirmando terem recebido ordens de disparar contra os manifestantes e desertado em função disso.
O filho de Kadhafi, Saif al Islam, havia intimado os líbios a acabar com a rebelião. "Dirijo-me a vocês pela última vez antes de recorrer às armas", declarou Al Islam, antes de advertir que a Líbia não é "Tunísia nem Egito", em referência às revoluções que derrubaram os governos autoritários nos países da região.
A estimativa de mortos desde o início da revolta, do dia 15 de fevereiro até as primeiras horas desta segunda-feira, ia de 230 (segundo a Human Rights Watch) a cerca de 300 a 400 (segundo a Federação Internacional de Direitos Humanos). Um representante da ONU no país em conflito, Ibrahim Dabbashi, classificou a ação de Kadhafi de "genocídio contra seu próprio povo", em entrevista à rede americana CNN.