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Morre Emílio Massera, ex-ditador argentino condenado à prisão perpétua

Governante teria controlado prisão clandestina da Marinha, com mais de 5 mil detentos

Ex-ditador argentino morreu após derrame
Ex-ditador argentino morreu após derrame Foto : CP Memória
O ex-ditador argentino Emílio Massera morreu na tarde desta segunda-feira, no Hospital Naval de Buenos Aires, vítima de um acidente vascular cerebral hemorrágico. Ele tinha 85 anos de idade e foi um dos integrantes da junta militar que governou a Argentina após o golpe de 24 de março de 1976, que derrubou a presidente María Estela Martínez de Perón.

Após a redemocratização do país, Massera foi preso e condenado à prisão perpétua, em 1990, acusado de crimes de lesa humanidade. A prisão ocorreu depois que o ex-presidente Néstor Kirchner, morto recentemente, decidiu reabrir processos contra militares da ditadura acusados de praticar tortura em presos políticos.

Em 1990, o então governante  Carlos Menen concedeu indulto a Massera, mas a Suprema Corte de Justiça anulou a iniciativa presidencial. Em 2010, a Suprema Corte ratificou a nulidade do indulto concedido ao ditador. De acordo com a decisão, "a Argentina assumiu a responsabilidade de investigar e castigar os delitos (cometidos durante a ditadura militar). Este compromisso não pode ser anulado pelo indulto assinado em 1990 pelo ex-presidente Menen".

Durante a ditadura na Argentina, Emílio Massera comandou um centro de detenção clandestino da Marinha, a Escola Superior de Mecânica da Armada (Esma). Historiadores estimam que cerca de 5 mil presos passaram pelo local, que ficou conhecido como um dos lugares onde se torturavam inimigos políticos do regime militar.

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