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Morte de magnata russo é considerada "inexplicada" pela polícia

Conhecido no Brasil pela parceria entre MSI e Corinthians, Boris Berezovski morreu aos 67 anos

Polícia investiga morte de magnato russo em Londres
Polícia investiga morte de magnato russo em Londres Foto : Leon Neal / AFP / CP
A polícia investiga a misteriosa morte de Boris Berezovski, o magnata russo opositor de longa data do presidente Vladimir Putin. O corpo dele foi encontrado no sábado em sua casa em Ascot, no sudoeste de Londres. Os investigadores descartaram a presença de substâncias radioativas, enquanto parentes e amigos evocaram ou negaram a possibilidade de suicídio. A morte de Boris Berezovski, até o momento, é considerada como "inexplicada", segundo as autoridades.

Durante toda a noite um cordão de isolamento impedia qualquer aproximação a residência, onde os investigadores especializados em substâncias NRBC (nuclear, radiológica, biológica e química) realizaram detalhadas buscas. Especialistas anunciaram na manhã deste domingo que a polícia não encontrou "nada suspeito" na casa.

O bilionário russo, conhecido no Brasil por seu envolvimento no caso entre MSI e Corinthians, tinha 67 anos. Berezovski chegou a ser convocado pela justiça brasileira para prestar esclarecimentos sobre a parceria iniciada em 2004 e que rendeu o título brasileiro do ano seguinte ao time paulista. A associação, encerrada em 2007, provocou uma série de investigações no País sobre lavagem de dinheiro envolvendo Berezovski.

Homicídio ou suicídio são levantados

O magnata, um dos maiores adversários de Vladimir Putin, fazia parte de um grupo de exilados que milita contra o presidente russo, ao qual também fez parte Alexandre Litvinenko. Litvinenko foi envenenado em novembro de 2006 por polônio, uma substância radioativa. Pouco antes de sua morte, ele havia tomado chá com o empresário Dmitri Kovtoun e Andre Lougovo, um agente secreto russo considerado o principal suspeito por Londres.

Segundo a imprensa britânica, Boris Berezovski foi alvo de ao menos duas tentativas de assassinato - em uma delas seu motorista acabou decapitado. A tese de suicídio não foi completamente descartada, e tem sido citada pela imprensa. "Berezovski vivia sob grande estresse, acredito que ele apresentava sintomas de depressão", declarou o diretor da Fundação Internacional para os Libertados Civis (IFLC) em Nova Iorque, Dojd Alexandre Goldfarb. A IFLC foi criada em 2000 pelo magnata para financiar ONGs na Rússia.

Mas um amigo de Berezovski, o empresário Demian Kudriavtsev, desmentiu. "Ninguém sabe o aconteceu. Não há sinais de suicídio, nenhum traço de injeção ou absorção de medicamentos", declarou à agência RIA Novosti. Segundo o site da revista Forbes, o magnata revelou em uma entrevista na sexta-feira que sua vida não tinha mais sentido. "Não tenho mais vontade de fazer política. Não sei mais o que fazer. Não sei o que farei a partir de agora", confessou Berezovski em entrevista ao jornalista Ilia Jegoulev.

Berezovski era alvo de inúmeras investigações na Rússia e a última é de maio do ano passado, após o magnata oferecer uma recompensa para quem "detivesse o perigoso criminoso Putin". No verão passado, ele iniciou um processo contra o bilionário Roman Abramovitch, proprietário do clube britânico de futebol Chelsea. Berezovski acusava seu ex-associado e amigo de o ter obrigado por meio de "ameaças" e "intimidações" a vender em 2001 sua parte no grupo petrolífero Sibneft por 1,3 bilhão de dólares, um preço, segundo ele, muito abaixo do valor real da companhia. Ele gastou 35 milhões de libras (41 milhões de euros) processando Abramovitch. "O julgamento acabou com seu moral. Destruiu sua autoestima", declarou um de seus advogados, Tim Bell.

Problemas financeiros

Segundo o jornal The Observer, as dificuldades financeiras do magnata foram agravadas recentemente, quando sua ex-amante, Elena Gorburova, 43 anos, de quem tinha se separado recentemente, reivindicou 5 milhões de libras da venda de sua residência no Surrey. A casa foi vendida no ano passado por um montante de 25 milhões de libras. "Ele falava sobre suicídio, que estava tudo acabado, que nada mais fazia sentido", declarou um amigo citado pelo The Observer, que não se identificou. "Apesar de tudo, não acredito que ele teria a coragem de terminar seus dias. Ele amava a vida", disse.

Sobre a carta que Berezovski teria supostamente escrito a Vladimir Putin, reconhecendo seus erros e pedindo para voltar à Rússia, Alexandre Goldfarb expressou suas dúvidas. Logo após o anúncio de sua morte, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, indicou a existência da carta.

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