Nas ruas do distrito financeiro de Londres, que teve seu poder alimentado pela desregulamentação do setor financeiro empreendida por Thatcher, muitas pessoas reagiram com assombro à notícia da morte da ex-primeira-ministra conservadora. "É uma pena, uma grande pena. É uma boa mulher", lamentou Alan Whiteford, funcionário de uma firma de advocacia. "É um dia triste", emendou o banqueiro Nick Daking.
Na antiga casa de Thatcher, no centro de Londres, uma pilha de flores se acumulava na entrada. "A maior líder britânica e uma verdadeira dama", dizia um cartão. "Você faz a Grã-Bretanha ser o que é".
Mas na cidade de Brixton, no extremo sul de Londres, inimigos declarados da Dama de Ferro planejavam uma grande festa para a noite desta segunda-feira, com presença confirmada de mais de 600 pessoas no Facebook.

Sindicalistas comemoraram nas ruas a morte de Margaret Thatcher | Foto: Carl Court / AFP / CP
Mineiros de carvão foram alguns dos maiores adversários de Thatcher durante o período em que ela foi chefe de governo, entre 1979 e 1990, e para um líder veterano dos mineiros que celebrou seu aniversário nesta segunda-feira, sua morte foi a cereja do bolo. "Estou bebendo a isto neste exato momento", disse à AFP, com alegria indisfarçável, David Hopper, secretário regional do Sindicato Nacional dos Mineiros (NUM) no nordeste da Inglaterra. "É um dia maravilhoso. Estou contentíssimo. Hoje é meu aniversário de 70 anos e é um dos melhores dias da minha vida", acrescentou.
Outros da esquerda também enalteceram a partida de Thatcher como um motivo de comemoração. "Ficaremos felizes em vê-la pelas costas", declarou à AFP Judith Orr, editora do jornal semanal de extrema-esquerda Socialist Worker. "Ela arruinou as vidas de dezenas de milhões de pessoas da classe trabalhadora na Grã-Bretanha", afirmou.
O ativista dos direitos humanos Peter Tatchell descreveu a Dama de Ferro como "extraordinária, mas sem coração", afirmando que ela estava no comando quando a base fabril britânica foi dizimada e foi introduzida "a primeira nova lei anti-gay da Grã-Bretanha em 100 anos", denominada de Seção 28. No entanto, ele reconheceu que, como primeira mulher até hoje a ocupar o posto de primeira-ministra da Grã-Bretanha, ela atingiu algo significativo. "Pode-se dizer a favor dela que ela quebrou o telhado de vidro sexista da política e chegou ao topo em um domínio masculino", acrescentou.
Um narciso solitário foi colocado aos pés da estátua de Thatcher em frente à Câmara dos Comuns, câmara baixa do Parlamento, com um cartão trazendo os dizeres: 'Você foi uma inspiração para as mulheres'.
Na internet, as reações à morte de Thatcher também foram misturadas. "Uma grande dama", escreveu o magnata da tecnologia Alan Sugar. "Ela mudou a face da política britânica, criou oportunidades para todos sucederem no Reino Unido. Descanse em paz", acrescentou.
Até mesmo o cantor Harry Styles, da 'boy band' One Direction prestou tributo a Thatcher postando no Twitter "Descanse em paz, baronesa Thatcher", mas o comentário deixou muitos de seus jovens fãs, nascidos após a primeira-ministra deixar o poder, confusos a respeito de quem estava falando.
Outros não se contiveram em condenar Thatcher, horas após sua morte. "Que ela queime no inferno", escreveu no Twitter o advogado e ativista de esquerda George Galloway. "Gostaria que houvesse uma estátua de Margaret Thatcher em Glasgow", postou o humorista escocês Robert Florence. "Gostaria de ser visto no noticiário derrubando-a e acertando-a com meus sapatos", emendou.
Muitos daqueles que comemoram seu falecimento marcaram seus 'tweets' com a hashtag #nowthatchersdead, semeando o pânico entre os fãs da cantora americana Cher, já que alguns leram "Now that Cher's dead" (Agora que Cher morreu).

Fãs da ex-primeira ministra britânica depositaram flores na residência de Thatcher | Foto: Tony Chater / AFP / CP