O Rana Plaza, um edifício de oito andares no qual mais de 3 mil pessoas trabalhavam na confecção de roupas, desabou no dia 24 de abril em Savar, na periferia de Dacca. A última sobrevivente, uma jovem costureira de 18 anos, Reshma Islam, foi resgatada na sexta-feira em meio às ruínas, 17 dias após o acidente.
Uma investigação preliminar concluiu que a causa do desabamento do edifício, que já não estava em boas condições, seriam vibrações provocadas, entre outros, por grandes geradores colocados em funcionamento durante uma queda de energia.
Bangladesh é o segundo produtor têxtil do mundo graças aos baixos salários e à abundante mão-de-obra. Este setor-chave da economia, que gera 29 bilhões de dólares por ano, representou em 2012 80% das exportações do país. Há anos as ONGs denunciam as terríveis condições de trabalho e as normas de segurança nesta indústria.
Sobrevivente está “muito bem”
A sobrevivente Reshma está recuperando suas forças pouco a pouco, afirmaram neste sábado os médicos de Bangladesh responsáveis por tratá-la. "Ela nunca perdeu a esperança", disse o médico Fakrul Islam. "Está muito bem, todos os seus órgãos vitais estão bem", explicou.
A jovem costureira sofre, no entanto, os efeitos da falta de comida, depois de ter sobrevivido graças a "quatro biscoitos" e a um pouco de água. Mas começou a se alimentar novamente e comeu frutas.
Sua família pôde visitá-la no hospital, entre eles sua mãe, seu irmão e irmã. Em seu povoado do norte do país, sua família não conseguia conter a alegria: "É um milagre. Havíamos perdido qualquer esperança de encontrá-la com vida", afirmou o irmão Zahidul, que visitou todos os hospitais e necrotérios da cidade.