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Moscou defende Damasco após suposto ataque químico na Síria

Rússia afirma que aviação síria bombardeou um "armazém terrorista" com substâncias tóxicas

Rússia afirma que aviação síria bombardeou um "armazém terrorista" com substâncias tóxicas
Rússia afirma que aviação síria bombardeou um "armazém terrorista" com substâncias tóxicas Foto : Omar haj kadour / AFP / CP
O governo da Rússia saiu em defesa do regime de Damasco nesta quarta-feira, após a morte de 72 civis, incluindo 20 crianças, em um suposto ataque químico em uma cidade do Noroeste da Síria, evento que provocou indignação entre a comunidade internacional.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá em caráter de urgência nesta quarta-feira para examinar as circunstâncias do episódio, que pode ter sido o segundo "ataque químico" mais letal desde o início do conflito. "Todas as provas que vi sugerem que foi o regime de Assad... usando armas ilegais contra seu próprio povo", disse o ministro britânico das Relações Exteriores, Boris Johnson, ao chegar em Bruxelas para uma conferência de dois dias sobre a Síria.



A Rússia afirmou, alegando informações "completamente confiáveis e objetivas", que a aviação síria bombardeou um "armazém terrorista" com "substâncias tóxicas". De acordo com a tese de Moscou, ao explodir o depósito, as substâncias teriam se disseminado pela região.

Washington, Londres e Paris apresentaram na terça-feira um projeto de resolução ao Conselho de Segurança que condena o ataque químico na Síria e exige uma investigação completa e rápida da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ). O texto também exige que o regime, que nega "categoricamente" as acusações, apresente os planos de voo e todas as informações sobre as operações militares no momento do ataque.  O projeto ameaça impor sanções com o uso do capítulo 7 da Carta das Nações Unidas.

"Mortos em suas camas"

O balanço do ataque "desumano", de uma "crueldade sem equivalente" e um "crime de guerra", nas palavas do secretário-geral da ONU, António Guterres, subiu para 72 civis mortos, incluindo 20 crianças, e mais de 160 feridos,
informou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). O número pode aumentar porque algumas pessoas estão desaparecidas, advertiu a ONG.

As vítimas começaram a sofrer convulsões quando estavam em suas casas ou nas ruas no momento do bombardeio, que aconteceu às 7h de terça-feira (1h de Brasília) em Khan Sheikhun, pequena cidade da província rebelde de Idlib, noroeste do país. "Corremos para dentro das casas e vimos famílias inteiras mortas em suas camas", disse Abu Mustafa, morador da cidade. "Também havia crianças, mulheres e idosos mortos nas ruas", recorda.

De acordo com os médicos, os sintomas dos pacientes são similares aos constatados em vítimas de um ataque químico: pupilas dilatadas, convulsões e espuma saindo pela boca. Após o bombardeio, o hospital que atendia as vítimas foi atingido em dois momentos por bombas, o que provocou danos consideráveis e a fuga de funcionários. O OSDH informou que pelo menos cinco ataques foram executados na manhã desta quarta-feira na cidade.

O ex-braço da Al-Qaeda e grupos rebeldes que controlam a região prometeram vingar as dezenas de vítimas do ataque.
A tragédia ameaça fragilizar ainda mais a trégua em vigor na Síria desde 30 de dezembro, que é violada diariamente pelos bombardeios do regime em vários redutos rebeldes e por combates entre os insurgentes.

A oposição síria alerta que o ataque abala as negociações de paz mediadas pela ONU em Genebra, que até o momento não apresentaram resultados. "Se a ONU é incapaz de impedir que o regime cometa estes crimes, como vai conseguir um processo político para uma transição?", questionou Mohamad Sabra, principal negociador na oposição.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, pediu um grande esforço a favor das negociações de paz sobre a Síria em Genebra, que tem a mediação da ONU. "Temos que unir a comunidade internacional nas negociações", declarou Mogherini

A Casa Branca endureceu o tom contra Assad, mas a condenação foi acompanhada mais uma vez por um apelo para reconhecer a "realidade política" na Síria, onde mais de 320 mil pessoas morreram em seis anos de guerra.