O reitor da mesquita de Paris, Dalil Boubakeur, considerou que não se deve fazer "uma ligação entre a religião muçulmana que é 99,9% pacífica, cidadã, responsável, não violenta e completamente integrada no país, com um determinado tipo de gente que está decidida a fazer um mal atroz". O número de muçulmanos na França é calculado em pelo menos 4 milhões de pessoas.
A liderança muçulmana foi recebida de manhã pelo presidente Nicolas Sarkozy, em companhia de representantes judeus. "Nossa presença aqui, juntos" demonstra "um fato fundamental: deve ser excluída qualquer possibilidade de querer estabelecer uma ligação entre o Islã da França, que é uma religião como todas as outras, e este personagem, que se soma ao movimento islamita jihadista, e à rede Al-Qaeda", disse o presidente do Conselho Representativo das Instituições Judaicas (Crif) Richard Prasquier.
Ao final desta audiência, Nicolas Sarkozy fez um apelo à população a não "ceder nem à tentativa de envolvimento, feita pelo suspeito, nem à vingança". "O terrorismo não conseguirá dividir nossa comunidade nacional", destacou.
Como Nicolas Sarkozy, a maior parte dos candidatos à eleição presidencial de 22 de abril e 6 de maio, cuja campanha foi praticamente suspensa desde segunda-feira, demonstraram apreensão. O socialista François Hollande disse esperar que a operação em curso "chegue ao final o mais rápido possível para acabar com um sentimento de angústia insuportável".
Os candidatos participam, agora à tarde, do funeral, em Montauban, dos três soldados também abatidos pelo autor da matança na escola. Em sentido oposto a estes apelos à concórdia, a candidata da Frente Nacional (extrema-direita) Marine Le Pen declarou que "o assassino é um homem que se considerava muçulmano antes de ser francês" e que o "risco fundamentalista vem sendo subestimado" na França. "Grupos político-religiosos se desenvolvem em meio a um certo laxismo. É preciso, agora, dirigir nossa luta contra grupos político-religiosos fundamentalistas que matam nossas crianças cristãs, nossos jovens cristãos, e crianças e jovens judeus, como aconteceu há dois dias", acrescentou.
Marine Le Pen, que está com 17% das intenções de voto nas pesquisas sobre as eleições presidenciais, atrás de Nicolas Sarkozy e François Hollande, vinha se mantendo discreta desde o massacre de segunda-feira, em meio à acusação por alguns, como centrista François Bayrou e o candidato da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon, de ter reforçado um clima de intolerância na França.
Até a identificação do principal suspeito, uma das pistas mais frequentemente citadas era a de crimes racistas e antissemitas cometidos por um adepto dos discurtos da extrema-direita. Para Marine Le Pen, "todos os que tentam se aproveitar politicamente dos assassinatos são pessoas desqualificadas". "A extrema-direita procura surfar sobre a situação", resumiu Bayrou enquanto que o partido de Mélenchon voltou a denunciar a atuação da Frente Nacional".