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Mubarak deve seguir no poder durante transição, diz enviado dos EUA

Para Frank Wisner, "a continuidade da liderança do presidente egípcio é decisiva"

Protestos seguem nas ruas do Cairo
Protestos seguem nas ruas do Cairo Foto : Mohammed Abed / AFP / CP
O presidente egípcio Hosni Mubarak deve seguir em seu posto durante a transição democrática. A informação foi dada  neste sábado pelo enviado especial do presidente americano Barack Obama ao Egito, Frank Wisner.

"O presidente deve permanecer em seu cargo, a fim de orientar estas mudanças", afirmou Wisner na Conferência sobre Segurança que ocorre em Munique (sul da Alemanha) através de uma videoconferência. "A continuidade da liderança de Mubarak é decisiva", acrescentou.

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Segundo o enviado especial de Obama, que nesta semana reuniu-se com Mubarak, para o presidente egípcio "é a oportunidade de escrever seu próprio legado. Ele dedicou 60 anos de sua vida a serviço do país, este é o momento ideal para ele mostrar o caminho a seguir".

Passo decisivo

Neste sábado, os Estados Unidos saudaram como "um passo positivo" a renúncia de integrantes do partido do presidente egípcio Hosni Mubarak neste sábado. Entre os dirigentes que deixaram o poder estão o secretário-geral do partido, Safwat el-Sharif, e Gamal Mubarak, filho do presidente.

"Vemos isso como um passo positivo em direção a uma mudança política que será necessária, e esperamos outros passos", informou um funcionário do governo de Barack Obama.

Mobilização segue nas ruas do país

Nas ruas, a mobilização não enfraquece. Na Praça Tahrir, símbolo da contestação, no centro do Cairo, milhares de manifestantes gritavam "vai embora, vai embora" para Mubarak, 82 anos, que governa o Egito com mão de ferro.

Apesar do apelo na véspera de Washington para que se afaste o mais rapidamente possível, Mubarak não demonstrou nenhum sinal de que vá se demitir. Agarrando-se ao poder, reuniu-se pela primeira vez com seu novo gabinete, neste sábado, depois de um gasoduto que abastece Israel e Jordânia ter sido alvo de um ataque com explosivos no Sinai egípcio.

Neste sábado, o presidente reuniu-se com o primeiro-ministro Ahmad Shafic, o ministro do Petróleo, Sameh Fahmy, o governador do Banco Central, Farouk Oqda e o ministro das Finanças, Samir Radwane. Foi a primeira vez que o gabinete se encontrou desde a demissão, no dia 29 de janeiro, do antigo governo, sob pressão popular.

Para o líder do movimento de contestação Kefaya, Georges Ishaq, isso "é uma prova de que Mubarak não vai deixar o posto e quer mostrar ao povo que ainda está lá". No exterior, informações da imprensa indicavam várias possibilidades para garantir uma saída digna a Mubarak, depois de o presidente americano Barack Obama ter declarado que haviam começado as "discussões" para a transição política no país.

Militares estudam forma de limitar poder de Mubarak

Segundo a edição deste sábado do New York Times, o novo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, e altos comandos militares estudam formas de limitar a autoridade do presidente Hosni Mubarak e possivelmente afastá-lo do palácio presidencial do Cairo. Citando funcionários de alto escalão dos Estados Unidos e Egito, que preferiram não ter os nomes divulgados, o jornal diz que esses planos não visam a tirar imediatamente Mubarak da presidência. Seu objetivo seria permitir a formação de um governo de transição, chefiado por Suleiman que, por sua vez, negociaria com a oposição emendas à Constituição e outras mudanças democráticas.

O New York Times diz que entre as ideias em estudo estão a possibilidade de Mubarak transferir-se para sua residência, no balneário de Sharm el Sheikh, ou submeter-se a um check-up médico na Alemanha. Essas opções representariam para ele uma saída honrosa e não o eliminariam como ator político central, segundo o jornal.

Por sua vez, o opositor egípcio com mais visibilidade e prêmio Nobel da Paz, Mohamed El Baradei, disse desejar conversar com o Estado Maior, a fim de organizar "uma transição sem derramamento de sangue". Ele e o chefe da Liga Árabe, Amr Mussa, muito popular em seu país, não excluíram se apresentar como sucessores de Mubarak.

Bolsa do Cairo segue fechada

Ante a situação instável, a Bolsa do Cairo, fechada desde 30 de janeiro, não reabrirá segunda-feira como o previsto. Paralelamente, um terminal de gás, abastecendo a Jordânia, e Israel, numa outra seção, foi alvo de um ataque com explosivos no Sinai egípcio.Uma igreja de Rafah, no Sinai egípcio, estava em chamas na tarde deste sábado, segundo testemunhas, mas as causas ainda não haviam sido estabelecidas.



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