Leia mais notícias sobre a crise no Egito
Os cerca de 200 mil manifestantes reunidos na praça Tahrir, no centro do Cairo, reagiram com fúria às declarações do presidente. Eles aguardavam desde cedo o discurso e, decepcionados, pediram que o exército se una a eles na rebelião.
Mubarak anunciou ainda que um comitê está estabelecendo mudanças em seis artigos da Constituição e extinguindo um deles, o que deve dar condições para a transferência de poder em uma eleição justa. O presidente afirmou mais de uma vez que espera que a transferência ocorra dentro da legalidade e chamou os egípcios de filhos. “Eu me comprometo a proteger esta nação e seu povo até que o próximo presidente seja definido”, afirmou.
O presidente se disse também orgulhoso das novas gerações do país que foram às ruas nas últimas semanas. “O sangue de seus mártires não foi derramado em vão”, afirmou, em referência à onda de violência entre simpatizantes e críticos do governo, que já dura 17 dias.
Vice-presidente
Mubarak anunciou ainda que delegou alguns poderes a seu vice-presidente, Omar Suleiman, sem, no entanto, especificar quais. "Estou consciente dos perigos desta encruzilhada... e isso nos força a priorizar os altos interesses da nação”, afirmou.
Ele continuou o discurso com um aparente ataque aos Estados Unidos e outros países que o pressionaram para acelerar a transição para a democracia, afirmando: "eu nunca me curvei a ingerências externas". "Sempre preservei a paz e trabalhei pelo Egito e por sua estabilidade."
Em seu discurso após o pronunciamento de Mubarak, Suleiman pediu que os manifestantes de rua e grevistas voltem para casa e ao trabalho. "Juventude do Egito, seus heróis, vão para casa e voltem para o trabalho", disse.
Protesto
Durante o discurso, centenas de manifestantes tiraram os sapatos e os agitaram em frente aos telões onde viam Mubarak, o que é considerado um insulto em sociedades árabes. Outros gritavam: "Abaixo Mubarak, saia, saia!" ou pediam a convocação de uma greve geral. Cerca de duas horas depois, o embaixador do Egito nos Estados Unidos, Sameh Shoukry, anunciou que o presidente egípcio não tem mais poder.
Visualizar Mundo Árabe em crise em um mapa maior