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Mubarak diz que quer transição tranquila, mas não renuncia

Presidente egípcio afirmou que mudanças na constituição garantirão eleições legais e provoca fúria na praça Tahrir

Egípcios ergueram sapatos (o maior dos insultos para os islâmicos) exigindo a saída imediata do presidente
Egípcios ergueram sapatos (o maior dos insultos para os islâmicos) exigindo a saída imediata do presidente Foto : Pedro Ugarte / AFP / CP
Com 45 minutos de atraso, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, fez um frustrante discurso à nação na noite desta quinta. A expectativa era de que ele anunciasse sua renúncia, mas Mubarak reafirmou que fica no governo até setembro, quando devem acontecer as eleições gerais que definirão o próximo presidente do país. Ele afirmou que seu governo manterá a dignidade até o fim e sairá de “cabeça erguida”.

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Os cerca de 200 mil manifestantes reunidos na praça Tahrir, no centro do Cairo, reagiram com fúria às declarações do presidente. Eles aguardavam desde cedo o discurso e, decepcionados, pediram que o exército se una a eles na rebelião.

Mubarak anunciou ainda que um comitê está estabelecendo mudanças em seis artigos da Constituição e extinguindo um deles, o que deve dar condições para a transferência de poder em uma eleição justa. O presidente afirmou mais de uma vez que espera que a transferência ocorra dentro da legalidade e chamou os egípcios de filhos. “Eu me comprometo a proteger esta nação e seu povo até que o próximo presidente seja definido”, afirmou.

O presidente se disse também orgulhoso das novas gerações do país que foram às ruas nas últimas semanas. “O sangue de seus mártires não foi derramado em vão”, afirmou, em referência à onda de violência entre simpatizantes e críticos do governo, que já dura 17 dias.

Vice-presidente

Mubarak anunciou ainda que delegou alguns poderes a seu vice-presidente, Omar Suleiman, sem, no entanto, especificar quais. "Estou consciente dos perigos desta encruzilhada... e isso nos força a priorizar os altos interesses da nação”, afirmou.

Ele continuou o discurso com um aparente ataque aos Estados Unidos e outros países que o pressionaram para acelerar a transição para a democracia, afirmando: "eu nunca me curvei a ingerências externas". "Sempre preservei a paz e trabalhei pelo Egito e por sua estabilidade."

Em seu discurso após o pronunciamento de Mubarak, Suleiman pediu que os manifestantes de rua e grevistas voltem para casa e ao trabalho. "Juventude do Egito, seus heróis, vão para casa e voltem para o trabalho", disse.

Protesto

Durante o discurso, centenas de manifestantes tiraram os sapatos e os agitaram em frente aos telões onde viam Mubarak, o que é considerado um insulto em sociedades árabes. Outros gritavam: "Abaixo Mubarak, saia, saia!" ou pediam a convocação de uma greve geral. Cerca de duas horas depois, o embaixador do Egito nos Estados Unidos, Sameh Shoukry, anunciou que o presidente egípcio não tem mais poder.



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