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Mudança climática intensifica seca na Europa, aponta relatório

Pesquisa do World Weather Attribution (WWA) indica que evaporação acelerada pelo ar quente é a principal responsável pelo agravamento da estiagem no continente

Europa enfrenta restrições no uso de água, incêndios florestais e redução do nível dos rios após uma onda de calor histórica em junho
Europa enfrenta restrições no uso de água, incêndios florestais e redução do nível dos rios após uma onda de calor histórica em junho Foto : WOJTEK RADWANSKI / AFP

A mudança climática causada pela ação humana intensificou a seca na Europa, impulsionada principalmente pelas temperaturas extremas e não apenas pela redução da precipitação. A conclusão é de um estudo publicado nesta quinta-feira (23) pelo grupo de cientistas World Weather Attribution (WWA). O continente enfrenta restrições no uso de água, incêndios florestais e redução do nível dos rios após uma onda de calor histórica em junho.

De acordo com a pesquisa, o aumento das temperaturas acelerou a perda de umidade do solo, de lagos e de rios. "Nossos resultados mostram que esta seca não é principalmente uma história de baixas precipitações, mas de uma atmosfera mais quente que provoca maiores déficits de umidade no solo", explicou a coautora Mariam Zachariah, do Imperial College London.

Mecanismo do aquecimento e risco de incêndios

Os cientistas destacam que uma atmosfera mais quente retém 7% a mais de vapor de água a cada 1 ºC de elevação na temperatura.

Como a Terra já aqueceu cerca de 1,4 ºC em relação ao período pré-industrial (1850-1900) — impulsionada pela queima de combustíveis fósseis —, o ar "sedento" extrai mais umidade da vegetação e do solo.

"Se você tem um ar cada vez mais quente, ele vai secar os solos. E depois ficará ainda mais quente e os solos vão secar ainda mais", afirmou o coautor Dominik Schumacher, do ETH Zurich.

Ele alertou que o processo favorece a propagação de incêndios florestais.

A Europa é o continente que registra o aquecimento mais rápido do planeta, e o mês de junho de 2026 foi classificado pelo observatório Copernicus como o mais quente já registrado na Europa Ocidental.

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Probabilidade de eventos extremos

A análise combinou dados climáticos e modelos computacionais para comparar o cenário atual com o período pré-industrial. Os dados mostram que solos extremamente secos são atualmente cinco vezes mais prováveis na Europa Ocidental e 11 vezes mais prováveis na Europa Oriental do que em um mundo sem alteração climática.

Já os níveis elevados de evaporação registrados entre abril e junho na Europa Ocidental tornaram-se 80 vezes mais prováveis.

O secretário-executivo da ONU Clima, Simon Stiell, destacou em nota que o agravamento da estiagem impacta diretamente a produção de alimentos, a geração de energia e o transporte fluvial.