Moscou, aliado de longa data de Damasco, reconheceu implicitamente a existência dessas armas, afirmando que elas estavam "sob estrito controle". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu Bashar al-Assad que o uso de armas químicas contra a população ou contra os rebeldes seria um "crime escandaloso".
A comunidade internacional tem intensificado nos últimos dias os alertas a Damasco. Na quarta-feira, "autoridades" do regime sírio informaram à rede de televisão NBC que o Exército "está carregando bombas com gás sarin para lançá-las contra os opositores". O governo central, porém, assegura que nunca utilizaria armas químicas contra seu povo. A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu uma ação consensual de "todos os países que têm influência na Síria", no dia seguinte a uma reunião em Dublin com seu colega russo Serguei Lavrov e o emissário internacional Lakhar Brahimi, que não rendeu avanços.
Brahimi reconheceu que "nenhuma decisão" foi tomada durante este encontro com Hillary, que exigiu a saída de Assad, e Lavrov. As partes apenas concordaram que a "situação é ruim". Diante do impasse diplomático, George Sabra, chefe do Conselho Nacional Sírio (CNS), principal formação da Coalizão Opositora, exigiu "atos e não só palavras", principalmente em relação às armas químicas que ameaçam "a segurança mundial".
Ban Ki-moon, que visitou um campo de refugiados sírios na Jordânia nesta sexta-feira, pediu à comunidade internacional, em particular aos países da região, mais ajuda humanitária para "pessoas que estão sofrendo e morrendo". Ele deve se reunir com o presidente turco, Abdullah Gül, e com o primeiro-ministro, Recep Tayyip Erdogan.
É na Turquia, país que apoia os rebeldes sírios, que serão posicionadas baterias anti-mísseis Patriot ao longo da fronteira com a Síria. A Holanda decidiu nesta sexta enviar "a curto prazo" para a Turquia duas baterias Patriot acompanhadas de 360 soldados para operá-las, indicou a agência de notícias holandesa ANP. O regime quer reconquistar uma área de 8 quilômetros nos arredores de Damasco, para que permaneça em posição de negociar uma saída para o conflito, segundo os especialistas.
O Exército poderia avançar em sua ofensiva, enviando suas tropas e blindados terrestres aos subúrbios de Damasco, que ele tem bombardeado com sua artilharia e aviões incansavelmente há vários dias. Como em toda sexta-feira, milhares de sírios se manifestaram, desta vez sob o lema "não às forças de paz na Síria", uma ideia sugerida por Brahimi e que privaria os rebeldes da vitória. Nesta sexta, 24 pessoas foram mortas na Síria, metade em Damasco e seus arredores, de acordo com o OSDH. Mais de 42 mil, em sua maioria civis, foram mortos em meio à violência na Síria desde março de 2011.