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Às 17h, hora local, quase 600 pessoas, em maioria jovens, estavam na pequena ilha perto de Oslo participando de um acampamento de verão da juventude do Partido Trabalhista, a formação do primeiro-ministro Jens Stoltenberg. "De repente, ouvi tiros atrás de uma colina", contou Khamshajiny Gunaratnam, sobrevivente da chacina, que fugiu da ilha a nado. "Nos perguntamos, num primeiro tempo, sobre quem estaria caçando aqui, porque só poderia ser um caçador", relata em seu blog.
Vestido com uma jaqueta da polícia, o atacante louro, de 1,90m de altura, identificado pela imprensa norueguesa como Anders Behring Breivik, atraiu primeiro suas vítimas, fazendo-as acreditar que queria protegê-las e transmitir informações importantes, segundo várias testemunhas.
Antes, uma violenta explosão havia devastado os prédios do governo no centro de Oslo. Os jovens militantes trabalhistas sabiam disso, porque acabavam de assistir a um noticiário.
Escondida numa grande pedra, Elise ficou a apenas alguns passos do atacante, do qual podia ouvir a respiração "ofegante". "As pessoas corriam para todos os lados, como loucas. Ele não parava de atirar", disse.
Adrian Pracon, que recebeu um tiro no ombro esquerdo, contou no hospital ao canal australiano ABC: "atirava contra a gente quase que à queima-roupa. Estava a dez metros de mim, podia ouvir sua respiração, e disparava também contra as pessoas que iam para a água". "Tinha um fuzil M16 (...) Quando o vi gritando que ia nos matar, parecia ter saído de um filme sobre nazistas ou algo assim", acrescentou o jovem, de 21 anos. "Com um chute nos corpos, ele comprovava se as pessoas estavam mortas, se não, voltava a atirar".
Em um longo "post" publicado em seu blog Khamshajiny - "Kamzy"- Gunaratnam conta os esforços desesperados que fez com seus companheiros para se esconder, esquivar do atacante, e fugir das balas correndo entre rochas e arbustos. "Corríamos e corríamos. O pior é saber que quem disparava estava com uniforme policial. Em quem poderíamos confiar?” indaga a jovem de 23 anos.
Só depois das 19h da noite é que chegou de helicóptero um comando da polícia norueguesa, que capturou o suspeito. Kamzy e seu amigo Matti conseguiram nadar mais de 700 metros, em meio a balas disparadas pelo atacante. Uma embarcação os resgatou. "Não consigo derramar uma só lágrima", diz Kamzy. "Não posso acreditar ".