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Número de desalojados por tremor na Itália chega a 5 mil

Cerca de cem réplicas do terremoto foram sentidas nesta segunda

Cerca de cem réplicas do terremoto foram sentidas nesta segunda
Cerca de cem réplicas do terremoto foram sentidas nesta segunda Foto : Giuseppe Cacace / AFP / CP
Dezenas de réplicas do terremoto que sacudiu o noroeste da Itália neste domingo, foram registradas na região durante toda a segunda-feira, causando pânico entre os cerca de 5 mil desalojados que se preparam para passar a segunda noite fora de casa. As réplicas, cerca de cem, foram sentidas, sobretudo, nas regiões de Mirandola, San Felicia e Finale Emilia, a 36 quilômetros ao norte de Bolonha, onde se situava o epicentro do primeiro tremor.

Uma delas alcançou uma magnitude de 4,1 graus após o primeiro tremor de 6 graus que sacudiu a região na madrugada de domingo (2h GMT, 23h de Brasília) e que deixou seis mortos nessa zona industrial densamente povoada. O número de desalojados aumentou de 3 mil para 5 mil, instalados em várias estruturas locais, informou o prefeito de Ferrara, Luigi Mauriello.

De acordo com os serviços de emergência, dezenas de pessoas também ficaram feridas após o terremoto e várias casas e monumentos históricos ficaram em ruínas. Temendo novos desabamentos de construções, centenas de italianos passarão a noite desta segunda-feira em seus carros enquanto outros dormirão em abrigos temporários nos quais as autoridades locais instalaram camas, mesas e cadeiras.

O primeiro-ministro Mario Monti, que antecipou seu retorno à Itália proveniente dos Estados Unidos, onde participava de uma cúpula da Otan, chegará à noite à região e espera-se que na terça-feira seja declarado estado de emergência.

O tremor ocorre pouco mais de três anos depois de outro terremoto de magnitude 6,3 que atingiu em março de 2009 a cidade de l'Aquila, deixando 300 mortos e dezenas de milhares de pessoas desabrigadas. A noite é o momento mais difícil, sobretudo porque de domingo para segunda foram sentidas 24 réplicas na área, quatro delas com uma magnitude de, pelo menos, três graus.

Quatro dos mortos no primeiro tremor eram trabalhadores do turno da noite cujas fábricas desabaram. Dois deles morreram quando estavam trabalhando e o teto de uma fábrica de cerâmicas caiu na cidade de Sant'Agostino.
Nessa cidade foram instalados acampamentos improvisados e um ginásio foi preparado para receber os atingidos.
"Podemos abrigar cerca de 500 pessoas. Muitas delas têm medo e não querem voltar a suas casas, apesar de não terem sido danificadas", explicou Sebastiano Lucchi, da Proteção Civil. O serviço de proteção civil levou centenas de idosos e pessoas vulneráveis para abrigos improvisados na localidade de Finale Emilia, epicentro do tremor.

"Segundo as primeiras informações, os danos causados ao patrimônio cultural são significativos", disse o ministro da Cultura após o sismo, que também foi sentido nas cidades de Bolonha, Ferrara, Verona e Mantua. A região da Emilia-Romagna é uma das mais industrializadas da Itália e abriga tesouros artísticos e arquitetônicos. O centro histórico de Ferrara está na lista do patrimônio mundial da Unesco. 

O teto de uma capela do século VI na cidade de San Carlo, cuja restauração levou oito anos, desabou e deixou expostas as estátuas de anjos que estavam dentro do local. "Mil anos de história desapareceram", disse desconsolado o prefeito de Finale Emilia, Fernando Ferioli.

O terremoto também provocou o desabamento de um armazém onde estavam guardados queijos de denominação Parmesão e Grana Padano de um valor estimado em mais de 250 milhões de euros, indicou uma autoridade local.
Os produtores deram início a uma corrida contra o relógio para tentar salvar os famosos queijos.



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