O número de mortos nas inundações que atingiram o noroeste do Paquistão passou de 1,1 mil neste domingo. Milhares de afetados vivem em condições precárias, sob a ameaça de epidemias, após os primeiros casos de cólera. "As inundações em diferentes áreas da província de Khyber Pakhtunkhwa afetaram mais de 1,5 milhão", anunciou o ministro da Informação da província, Mian Iftikhar Hussain. "Esta é a pior inundação na província e na história do país”, acrescentou.
De acordo com Farooq Niaz, responsável pelo centro de gestão de catástrofes, 47 pessoas morreram e 39 ficaram feridas nas inundações em várias partes de Muzaffarabad, capital da Caxemira paquistanesa, desde a semana passada. Por volta de 850 famílias estão desabrigadas nesta zona em decorrência das cheias provocadas pelas chuvas de monção.
Segundo as Nações Unidas, as inundações afetaram um milhão de pessoas e várias localidades continuam isoladas. Os Estados Unidos prometeram conceder uma ajuda de 10 milhões de dólares ao Paquistão e fornecer helicópteros, barcos e material de resgate para ajudar o país atingido pela enchente.
A China, que foi duramente atingida pelas intempéries no nordeste, onde as autoridades registraram as piores cheias em uma década, anunciou uma ajuda de 10 milhões de iuanes (1,5 milhão de dólares), segundo a agência oficial Nova China, citando um site do governo. A Comissão Europeia já havia anunciado no sábado o desbloqueio de 30 milhões de euros de ajuda humanitária para o Paquistão.
Desastre é maior em Khyber Pakhtunkhwa
A província mais atingida é a de Khyber Pakhtunkhwa – antigo vilarejo da Fronteira do Noroeste –, localizada na fronteira com o Afeganistão. "Pelo menos 713 pessoas morreram em Peshawar (apital da província), Nowshera e Charsada, enquanto o registro nos distritos de Shangla e Swat passa de 300 mortos", declarou o ministro Hussain. Mais de 3,7 mil casas foram destruídas, segundo o ministro. "Recebemos também informações confirmadas que indicam os primeiros casos de cólera em alguns setores do (Vale do) Swat", completou.
Imagens divulgadas pela televisão e fotos tiradas de helicópteros mostram pessoas em cima de muros ou dos telhados das casas para tentar fugir das correntezas. Em Peshawar, cidade com 3 milhões de habitantes, cerca de 300 pessoas protestaram, gritando palavras de ordem contra o governo provincial, acusado de não fornecer ajuda.
O Exército anunciou o envio de barcos e helicópteros para ajudar as pessoas afetadas, enquanto militares trabalham na desobstrução das estradas. Segundo as autoridades, a estrada que liga Islamabad a Peshawar foi liberada. "Ainda não temos uma visão global da situação por causa do corte de comunicações", declarou Manuel Bessler, do Gabinete de Coordenação de Questões Humanitárias das Nações Unidas (Ocha).
Número de mortos em inundações passa de mil no Paquistão
Província de Khyber Pakhtunkhwa foi a área mais atingida