Número de mortos em terremoto no Paquistão aumenta para 20

Número de mortos em terremoto no Paquistão aumenta para 20

Mais de 200 pessoas ficaram feridas no tremor que abalou o Sul do país

AFP

Número de mortos em terremoto no Paquistão aumenta para 20

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Ao menos 20 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em um terremoto de 5,9 graus que abalou o Sul do Paquistão durante a madrugada desta quinta-feira (7), provocando o desabamento de vários imóveis. O terremoto, que aconteceu a pouca profundidade na província do Baluchistão, foi sentido em pelo menos seis cidades, mas a área mais afetada foi a remota cidade montanhosa de Harnai.

Em um vilarejo do distrito, com poucas estradas pavimentadas e escassa infraestrutura de energia elétrica, o tremor acordou o agricultor Rafiullah, que tentava retirar os filhos de casa quando o teto desabou e o deixou inconsciente. "Quando recuperei a consciência, tirei meus dois filhos, mas o mais novo, de apenas um ano, já estava morto", lamentou o jovem pai.

Muitas vítimas faleceram no desabamento de telhados e muros durante o terremoto, que também provocou apagões que obrigaram as equipes de resgate a usar lanternas para atender os feridos. Os próprios moradores tentavam retirar os escombros. Crianças aguardavam em silêncio por ambulâncias e helicópteros. "Estamos recebendo informações de que 20 pessoas morreram", afirmou o ministro provincial do Interior, Mir Zia ullah Langau. Ele disse que dezenas de casas de barro desabaram durante o terremoto.

Uma mulher e seis crianças estão entre as 20 vítimas fatais, afirmou à AFP Suhail Anwar Hashmi, funcionário do governo provincial, que também informou um balanço de 200 pessoas feridas. "Foi um terremoto forte. O abalo foi muito potente", declarou Zaman Shah à AFP em Harnai. O primeiro-ministro Imran Khan disse que ordenou "assistência imediata de emergência" à região afetada.

Helicópteros do exército ajudam no transporte de feridos de áreas isoladas até Quetta, a cidade mais próxima. Também foram mobilizadas equipes para retirar os escombros das estradas que seguem até Harnai. Além disso, uma equipe de resgate foi enviada a uma mina de carvão onde 15 operários ficaram bloqueados. No Paquistão é comum que os mineiros trabalhem durante a noite, quando a temperatura é mais amena. Naseer Nasar, diretor da autoridade provincial de Gestão de Desastres, alertou que o número de vítimas pode ser maior.

Hospitais com lanternas

O tremor provocou apagões na região e os funcionários de um hospital público trabalhavam sem iluminação. "Antes do amanhecer, estávamos trabalhando sem energia elétrica, com a ajuda de lanternas e as luzes dos telefones celulares", afirmou à AFP Zahoor Tarin, do hospital público de Harnai. "Muitos feridos chegaram com fraturas. Dezenas de pessoas receberam alta apenas com os primeiros socorros", disse. 

Os moradores ajudaram a transportar os feridos para os hospitais. O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou inicialmente que o terremoto registrou 5,7 graus e profundidade de 20 quilômetros, mas poucas horas depois revisou o a magnitude para 5,9. O tremor foi sentido em toda a região do Baluchistão, na fronteira com Afeganistão e Irã, assim como na capital provincial Quetta, 170 quilômetros ao oeste de Harnai.

O Paquistão está localizado na região das placas tectônicas indiana e eurasiática, o que deixa o país suscetível a terremotos. Em outubro de 2015, um terremoto de 7,5 graus no Paquistão e Afeganistão deixou quase 400 mortos em uma região montanhosa. Um terremoto de 7,6 graus em outubro de 2005 provocou mais de 73 mil mortes e deixou 3,5 milhões de desabrigados, especialmente na área da Caxemira controlada pelo Paquistão.


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