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Navio irlandês já está em Israel

Embarcação Rachel Corrie, que levava mil toneladas de material humanitário, foi abordado ao tentar chegar a Gaza

Navio irlandês chega escoltado a porto de Israel
Navio irlandês chega escoltado a porto de Israel Foto : David Buimovitch / AFP / CP
Já está em Israel o navio irlandês abordado sem violência pelas forças armadas israelenses. O navio mercante Rachel Corrie tentava levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza, cinco dias depois da operação contra uma frota internacional de ajuda que deixou nove mortos.

Rachel Corrie chegou na tarde deste sábado sob escolta à entrada do porto israelense de Ashdod. Com uma inscrição onde se lia "Free Gaza" (Gaza Livre), o navio chegou escoltado por duas lanchas pequenas israelenses, uma na popa e outra na proa. A Marinha abordou o navio pouco depois do meio-dia (6h de Brasília) e tomou o controle sem violência. O exército israelense anunciou que suas tropas subiram no navio "com a total conformidade" de seus tripulantes e passageiros, sem que nenhuma das partes tenha recorrido à violência.

"Nossas forças deixaram o barco e tomaram o controle sem que os membros da tripulação, nem os passageiros presentes apresentassem resistência. Tudo ocorreu sem violência", disse a porta-voz militar Avital Leibovitz. A abordagem teve lugar em águas internacionais. A zona de exclusão marítima da Faixa de Gaza, decretada por Israel, é de 37 quilômetros.

O navio irlandês

O "Rachel Corrie" levava a bordo 11 passageiros e oito tripulantes, destacou o exército em um comunicado. Os passageiros são cinco irlandeses, entre eles a Nobel da Paz, Mairead Maguire, e seis malásios, segundo os organizadores irlandeses. "Todas essas pessoas serão interrogadas antes de serem expulsas nos prazos mais breves possíveis", disse a porta-voz do serviço de Imigração, Sabine Haddad.

A decisão de abordar o "Rachel Corrie", que levava mil toneladas de material humanitário segundo os organizadores, foi tomada depois de o navio se negar a obedecer quatro chamados para que mudasse de rumo e se dirigisse a Ashdod no lugar da Faixa de Gaza, submetida desde 2007 a um bloqueio por parte de Israel. Israel advertiu por rádio ao navio que o abordaria se não mudasse de rumo.

O ministério irlandês das Relações Exteriores confirmou ter sido "informado pelas autoridades israelenses que o navio havia sido interceptado, que o exército israelense está a bordo e que o navio se dirige a Ashdod". Não houve "nem violência, nem feridos", acrescentou um porta-voz.

Fretado por uma organização irlandesa pró-palestina, o "Rachel Corrie" deveria fazer parte da frota internacional de ajuda humanitária com destino a Gaza abordada na segunda-feira por comandos israelenses em uma violenta operação na qual nove civis morreram.

Ativistas podem ser deportados

"Os ativistas a bordo serão recebidos pelos serviços da imigração israelense e enviados de avião a seus países de origem o quanto antes", informou o ministério israelense das Relações Exteriores. Enquanto isso, na cidade de Gaza, uma multidão começou a se reunir no porto à espera da chegada do barco, com a esperança de que ele pusesse fim a um bloqueio israelense que já dura quase quatro anos.

"Muitos barcos mais serão enviados a Gaza por organizações de solidariedade internacional nas próximas semanas em nome da Justiça e dos direitos humanos", afirmou Ahmed Yussef, vice-ministro de Relações Exteriores do gabinete do Hamas que governa o enclave. Yussef, que também dirige o comitê governamental para a ruptura do bloqueio, qualificou a interceptação do "Rachel Corrie" de "violação maior às leis navais" e de "crime contra a comunidade internacional".