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Negociador da UE para o Brexit alerta sobre riscos para estabilidade financeira

Michel Barnier disse que União terá que fazer algum acordo especial para manter fluxo de crédito na Europa

Michel Barnier disse que União terá que fazer algum acordo especial para manter fluxo de crédito na Europa
Michel Barnier disse que União terá que fazer algum acordo especial para manter fluxo de crédito na Europa Foto : Reprodução / Facebook / CP
O negociador da Comissão Europeia para o Brexit, Michel Barnier, advertiu no sábado que o bloco deveria estar consciente do risco que o processo de saída do Reino Unido, que se anuncia difícil, representa para a estabilidade financeira. Na sexta-feira à noite, o jornal britânico The Guardian publicou que Barnier tinha dito aos seus colegas do Parlamento Europeu que a UE teria de fazer um acordo "especial" com o setor financeiro britânico para manter o fluxo de crédito na Europa.

Em uma mensagem em sua conta de Twitter, o negociador detalhou no sábado que ele não tinha se referido a um acordo com a City de Londres, o distrito financeiro da capital britânica e um dos mercados financeiros mais importantes do mundo. "Quando perguntado sobre a equivalência, eu disse: a UE precisaria de uma vigilância especial em relação ao risco para a estabilidade financeira, não de um acordo especial para ter acesso à City", disse na mensagem.

Segundo uma ata não publicada da conversa entre Barnier e os parlamentares europeus, consultada pelo The Guardian, o francês teria explicado que queria garantir que os bancos, empresas e governos dos 27 países-membros da UE continuem tendo acesso ao setor financeiro da City depois que o Reino Unido sair do bloco.  No entanto, um porta-voz da Comissão Europeia disse à AFP no sábado que as minutas às quais o artigo se refere "não refletem com precisão o que o senhor Barnier disse".

Os líderes europeus apontaram o setor financeiro como um ponto fraco para Londres nas negociações. "Nesta área, tem de se fazer um trabalho muito específico", disse Barnier nas minutas. "Ainda há vínculos específicos/especiais que precisam ser analisados fora do esquema das negociações (...) para evitar a instabilidade financeira", acrescentou.

Na terça-feira, o presidente do Banco da Inglaterra, Mark Carney, advertiu que os europeus também têm muito a perder se não chegar a um acordo, afirmando que havia mais "riscos de instabilidade financeira para o continente no curto prazo, durante a transição, do que para o Reino Unido". Carney afirmou que três quartos das operações de câmbio do continente, metade dos empréstimos e metade das operações com ações eram realizados na capital britânica.

Por sua parte, Michel Barnier reiterou que a UE não iria deixar o Reino Unido inventar um Brexit "à la carte", escolhendo quais partes do bloco quer durante as negociações. Um influente grupo de parlamentares que formam a comissão para o Brexit pediu à primeira-ministra, Theresa May, que publique antes de meados de fevereiro um roteiro com o plano para o divórcio com a UE.

May prometeu ativar o artigo 50, que regula o procedimento para sair da UE, no final de março, dando início à negociação.  Um porta-voz do governo comemorou a iniciativa, embora tenha especificado que Londres "tem previsto apresentar os planos, com a precaução de não prejudicar a posição do Reino Unido nas negociações, antes do final de março".