O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou nesta sexta-feira (23) o "fechamento total" da Cisjordânia, após um ataque armado que deixou cinco feridos. O incidente ocorreu a poucos dias das eleições legislativas de 27 de outubro, votação em que sua sobrevivência política está em jogo.
Na manhã de sexta-feira, dois homens vestidos de preto, um deles armado com um fuzil e o outro com uma pistola, abriram fogo contra um grupo de militares em Hebron, no sul da Cisjordânia. Os dois agressores foram mortos em um intenso tiroteio, segundo um fotógrafo da AFP.
Tensões na região
O ataque ocorreu a menos de uma semana das eleições legislativas previstas para terça-feira em Israel, e em um contexto de aumento das tensões na Cisjordânia, território ocupado desde 1967 pelas forças israelenses. Em resposta, Benjamin Netanyahu, que aspira a um novo mandato como chefe de Governo, ordenou o "fechamento imediato" da cidade de Hebron e pediu ao Exército que se prepare para impor um "fechamento total" da Cisjordânia nesta sexta-feira.
Segundo o premiê, citado em um comunicado de seu gabinete, as forças de segurança evitaram "um ataque de grande amplitude". O Exército israelense anunciou "operações antiterroristas" nas residências dos supostos agressores "e de outros suspeitos", assim como no local do ataque – uma área que foi "isolada" – e em "outras zonas" do território palestino.
Campanha eleitoral abalada
O ataque abalou a campanha eleitoral. Netanyahu pediu a seu partido, o Likud (conservador), que cancele todos os eventos que estavam programados para esta sexta-feira.
O incidente aconteceu em um posto de controle do Exército, em um cruzamento ao norte de Hebron, uma cidade dividida em dois setores: um controlado pelas autoridades palestinas e outro, onde vivem colonos israelenses, pelas Forças Armadas israelenses.
As autoridades confirmaram à AFP que todos os feridos são de nacionalidade israelense, na faixa dos 20 anos, mas não informaram se eram soldados. Segundo o Magen David Adom, o equivalente israelense da Cruz Vermelha, dos cinco feridos, dois estão em condição grave.
Autoridade palestina deve ser desmilitarizada
O ataque também aconteceu em um momento de grande tensão na Cisjordânia, entre outras coisas, devido aos ataques de colonos israelenses extremistas contra palestinos durante a colheita de azeitonas.
O ministro israelense da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir, aproveitou o momento para pedir o "desmantelamento" da Autoridade Palestina. "Não é necessário esperar que aconteça outro 7 de outubro na Cisjordânia", declarou. "É lá que vai explodir a próxima guerra. A Autoridade Palestina deve ser desmantelada e desmilitarizada", acrescentou o ministro, que compareceu ao local do ataque.
O ataque não foi reivindicado até o momento. Em um comunicado, o movimento islamista palestino Hamas chamou o incidente de "operação heroica", mas sem reivindicar a autoria.