Entre a incerteza e a cautela, familiares das mais de 200 jovens estudantes sequestradas esperam neste sábado uma possível libertação das garotas após a Nigéria ter anunciado um acordo com o grupo extremista Boko Haram. Autoridades do governo e militares nigerianos confirmaram um cessar-fogo com o grupo, que atua no norte do país.
O acordo incluiria a libertação das 219 jovens, sequestradas em abril, em uma ação que desencadeou uma campanha mundial (#BringBackOurGirls, Devolvam nossas meninas) que reuniu personalidades como a primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, e a jovem prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, entre outras.
"Aceitaram libertar as meninas de Chibok", localidade do nordeste do país onde ficava a escola atacada, afirmou o
secretário da Presidência nigeriana, Hasan Tukur. "Chibok recuperou o sorriso, com o povo pulando de alegria enquanto a rádio dava a notícia", disse Enoch Mark, pai de uma das meninas e tio de outras duas que estão entre as sequestradas.
Mas a conclusão do acordo ainda precisa ser confirmada pelo líder do Boko Haram, Abubakar Shekau. Caso seja concluído, chegará ao fim um pesadelo que já dura seis meses. "Espero que a gente não se decepcione, porque temos algumas dúvidas", afirma Mark.
Chade confirma
O Chade, país que tem atuado como mediador no caso, confirmou neste sábado que o cessar-fogo assinado prevê a libertação das estudantes. Segundo um comunicado do Ministério chadiano das Relações Exteriores, as negociações entre o grupo radical e o governo nigeriano preveem "a libertação dessas jovens sequestradas em Chibok pelo Boko Haram". Em troca, o governo libertará "alguns militantes do grupo que estão em prisões nigerianas".
"A forma como essas libertações serão feitas serão discutidas entre as duas partes e a mediação chadiana", conclui o
comunicado, sem fornecer maiores detalhes. O porta-voz dos serviços de segurança da Nigéria chegou a afirmar na sexta-feira que não havia acordo algum sobre a libertação das adolescentes. "Este aspecto não está fechado, mas estamos cada vez mais perto", havia declarado o responsável pelo Centro Nacional de Inteligência, Mike Omeri.
As autoridades dos Estados Unidos também não confirmaram a conclusão de um acordo. O governo e o Exército da Nigéria já anunciaram em diversas ocasiões o fim da insurreição armada, que nos últimos cinco anos deixou mais 10.000 mortos no país, assim como a libertação iminente das adolescentes.
Nigerianos são cautelosos ante a anúncio de libertação de jovens sequestradas
País anunciou um acordo com o grupo extremista Boko Haram