Em seu discurso, Kirchner chamou os "líderes mundiais" a "dar soluções claras e concretas sobre o sistema de regulação financeira" após lamentar que se limitem a "ver em que cada país gasta" seu dinheiro, em alusão aos programas de ajuste impostos aos países fortemente endividados como Grécia, Portugal ou Irlanda. As declarações de Kirchner foram aplaudidas por uma parte da centena de pessoas que presenciavam a mesa redonda sobre "desenvolvimento e segurança alimentar" em uma reunião do chamado B20, que reúne empresários dos países do G20.
Como é habitual, a presidente argentina voltou a atacar o Fundo Monetário Internacional (FMI), o qual acusou de voltar a ser o "médico" que impõe o tratamento de sempre aos países endividados, como fez com a Argentina antes do calote feito há dez anos.
Após o "default" em 2001, a Argentina empreendeu uma forte disputa com seus credores internacionais, especialmente com o FMI, com o qual acabou por saldar a dívida sob a presidência de Néstor Kirchner (2003-2007). "Quando um doente não recebe solução, (sua doença) se agrava", declarou a presidente argentina, que no domingo passado foi reeleita para um segundo mandato. "Se alguém testou durante três anos determinados remédios com determinados médicos e o doente piora cada vez mais, não será necessário mudar de médico e de remédios e tentar outros tratamentos?", questionou.
"Está na hora (...) de estabelecer soluções que tenham a ver com a regulação daqueles que provocaram o problema", afirmou, em alusão à especulação financeira, mas advertiu que a situação econômica mundial "está pior" que três anos atrás. Em Cannes, Kirchner participará das reuniões do G20 e prevê manter um encontro bilateral na sexta-feira com o presidente americano, Barack Obama.