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Nobel de Química vai para trio que usa IA para decifrar segredos das proteínas

Um dos premiados foi responsável por construir proteínas completamente novas

Nobel de Química vai para trio que usa IA para decifrar segredos das proteínas
Nobel de Química vai para trio que usa IA para decifrar segredos das proteínas Foto : Jonathan Nackstrand / AFP / CP

Os norte-americanos David Baker e John Jumper e o britânico Demis Hassabis ganharam, nesta quarta-feira (9), o Prêmio Nobel de Química, pelo seu trabalho capaz de prever a estrutura das proteínas por meio da Inteligência Artificial (IA).

Baker, um bioquímico de 62 anos, ganhou metade do prêmio por seus avanços no "design computacional de proteínas", enquanto Hassabis e Jumper dividiram a outra metade pela "previsão de estruturas proteicas", disse o júri.

Baker "realizou a façanha quase impossível de construir proteínas completamente novas", explicou o júri. "Entre uma infinidade de aplicações científicas, os pesquisadores agora podem compreender melhor a resistência aos antibióticos e criar imagens de enzimas que podem decompor o plástico", acrescentou.

A dupla Demis Hassabis, de 48 anos, e John Jumper, nascido em 1985, que dirige o Google Deepmind, "desenvolveu um modelo de inteligência artificial para resolver um problema de 50 anos: prever as estruturas complexas das proteínas".

Seu modelo de IA, Alphafold, pode prever a estrutura tridimensional das proteínas com base em seus aminoácidos. Os dois homens, citados entre os favoritos, já haviam recebido o prestigioso Prêmio Lasker em 2023.

"Um enorme potencial"

O júri destacou que as descobertas dos vencedores deste ano "oferecem um enorme potencial". Em 2023, os três receberam o prêmio Fronteiras do Conhecimento em Biomedicina da Fundação BBVA por seus trabalhos nesse tema.

No ano passado, o Prêmio Nobel de Química foi para um trio por suas pesquisas em nanopartículas chamadas pontos quânticos: Moungi Bawendi (Estados Unidos-França-Tunísia), Louis Brus (Estados Unidos) e Alexei Ekimov (Estados Unidos, nascido na URSS).

O prêmio de Física de terça-feira foi para o americano John Hopfield e o britânico-canadense Geoffrey Hinton por seu trabalho pioneiro em aprendizagem automática, uma ferramenta usada no desenvolvimento da Inteligência Artificial.

Na segunda-feira, os cientistas americanos Victor Ambros e Gary Ruvkun receberam o Prêmio Nobel de Medicina pela descoberta do microRNA e seu papel na regulação genética.

A temporada destes prêmios continua esta semana com o anúncio dos tão aguardados prêmios de Literatura na quinta-feira e da Paz na sexta-feira. A Economia encerrará a série na segunda-feira, 14 de outubro.

Para os vencedores de 2024, o cheque que acompanha o prêmio é de 11 milhões de coroas suecas, o equivalente a um milhão de dólares ou 5,5 milhões de reais.

Concedidos desde 1901, os Prêmios Nobel homenageiam aqueles que, nas palavras do criador e cientista do prêmio, Alfred Nobel, "conferiram o maior benefício à Humanidade".

Trabalho dos vencedores do Nobel de Química | Foto: Jonathan Nackstrand / AFP / CP

Ganhadores do Nobel de Química da última década

2023: Moungi Bawendt (EUA-França-Tunísia), Louis Brus (EUA) e Alexei Ekimov (EUA, nascido na Rússia) pelo desenvolvimento de nanopartículas denominadas pontos quânticos, utilizados para iluminar televisores e lâmpadas.

2022: Carolyn Bertozzi (EUA), Morten Meldal (Dinamarca) e Barry Sharpless (EUA) pelo desenvolvimento da química click e bio-ortogonal, nas quais os blocos moleculares se unem rápida e eficientemente e que têm diversas aplicações.

2021: Benjamin List (Alemanha) e David MacMillan (EUA) pelo desenvolvimento de uma ferramenta precisa de construção denominada organocatálise assimétrica, de grande impacto na indústria farmacêutica.

2020: Emmanuelle Charpentier (França) e Jennifer Doudna (EUA) por suas pesquisas sobre as "tesouras moleculares", um avanço "revolucionário" para modificar os genes humanos e reescrever o DNA que pode ajudar a desenvolver novas terapias contra o câncer.

2019: John Goodenough (EUA), Stanley Whittingham (Reino Unido) e Akira Yoshino (Japão) pelo desenvolvimento das baterias de íons de lítio.

2018: Frances Arnold (EUA), George Smith (EUA) e Gregory Winter (Reino Unido) por seus trabalhos que aplicam os mecanismos da evolução para criar novas e melhores proteínas em laboratório.

2017: Jacques Dubochet (Suíça), Joachim Frank (Estados Unidos) e Richard Henderson (Reino Unido) por terem desenvolvido a criomicroscopia eletrônica, um método revolucionário para observar moléculas em 3D.

2016: Jean-Pierre Sauvage (França), Fraser Stoddart (Reino Unido) e Bernard Feringa (Países Baixos), pais das minúsculas “máquinas moleculares” que prefiguram os nanorrobôs do futuro.

2015: Tomas Lindahl (Suécia), Paul Modrich (EUA) e Aziz Sancar (EUA/Turquia) por seu trabalho sobre o mecanismo de reparo do DNA, que pode levar a novos tratamentos contra o câncer.

2014: Eric Betzig, William Moerner (EUA) e Stefan Hell (Alemanha) pelo desenvolvimento da microscopia de fluorescência de alta resolução.

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