Com discursos curtos, um olhar firme e sempre cercado por um forte esquema de segurança, o presidente Daniel Noboa foi reeleito no domingo (13) no Equador com o compromisso de dobrar a aposta para enfrentar um narcotráfico audacioso.
Do alto de um tanque de guerra vestindo colete e capacete à prova de balas, Noboa lança advertências aos criminosos nas áreas mais perigosas do país. Outras vezes, aparece no Instagram com roupas esportivas, guitarra acústica e cantarolando em inglês uma música dos Goo Goo Dolls.
Com pouca experiência política, Noboa se tornou, aos 35 anos, o presidente mais jovem da história do Equador.
"Esta vitória foi histórica, uma vitória de mais de 10 pontos", disse aos seus apoiadores no domingo. Os resultados oficiais apontam sua vitória com 56% dos votos, contra 44% de sua rival, a esquerdista Luisa González, que não admitiu a derrota.
Com a vitória, o presidente quebrou por duas vezes a má sorte de seu pai, um magnata do setor bananeiro que tentou conquistar a presidência em cinco oportunidades, sem sucesso.
Os narcotraficantes "nunca imaginaram que eu teria colhões para declarar guerra contra eles", disse à revista New Yorker em junho.
Nascido nos Estados Unidos e formado em prestigiosas universidades estrangeiras, Noboa foi eleito para completar até maio o mandato de Guillermo Lasso. O ex-presidente dissolveu o Congresso e abriu o caminho para a realização de eleições antecipadas para fugir da destituição em um julgamento político por corrupção.
Noboa é sommelier, quis ser músico quando era mais jovem, tentou ser vegetariano, coleciona pimentas e é apaixonado por carros, cavalos e guitarras, segundo familiares próximos.
"Mais soldados"
Atlético e tatuado, Noboa evita se expor em palanques, coletivas de imprensa e entrevistas, mas distribui abraços e selfies por onde passa. Acumulou apoios com uma ofensiva espetacular contra o narcotráfico, que incluiu o envio de militares às ruas e dentro das prisões, onde exibiu presos seminus, o que lhe rendeu comparações com seu contraparte salvadorenho, Nayib Bukele.
Também tem sido criticado por organizações de defesa dos direitos humanos por abusos da força pública durante os prolongados estados de exceção e pela declaração de conflito armado interno.
Quatro meninos foram assassinados e tiveram seus corpos carbonizados em Guayaquil (sudoeste), em um caso envolvendo 16 militares.
Ele buscou o apoio do presidente americano, Donald Trump, na luta contra o crime e não descarta a volta de bases militares estrangeiras, hoje proibidas por lei.
Além disso, anunciou uma aliança com Erik Prince, fundador da questionada empresa americana de segurança Blackwater, cujos funcionários mataram e feriram dezenas de civis no Iraque.
"Precisamos de mais soldados para lutar nesta guerra (...) Setenta por cento da cocaína mundial sai pelo Equador, precisamos da ajuda das forças internacionais", disse à BBC.
É um dos presidentes mais populares da América Latina, mas sua relação com os governos de esquerda é tensa. Rompeu laços diplomáticos com o México após ordenar uma incursão policial na embaixada do país em Quito para capturar o ex-vice-presidente correísta Jorge Glas, condenado por corrupção.
Noboa afirma ter diminuído a taxa de homicídios do recorde de 47 para cada 100.000 habitantes em 2023 para 38 para cada 100 mil em 2024. "Nós não somos uma promessa. Nós somos uma realidade", afirmou.
Em 2024, o Equador foi o país da América Latina que registou o maior número de homicídios proporcionalmente à sua população, segundo o “think tank” Insight Crime.