Nessa semana, devido à passagem dos 75 anos da Noite dos Cristais, dezenas de lojas na capital alemã colaram em suas vitrines um adesivo plástico que cria a impressão de que os vidros estão quebrados para lembrar as lojas judaicas saqueadas pelos nazistas. A prefeitura pediu que os moradores limpem os cerca de 5 mil pequenos tijolos dourados, sobre os quais estão inscritos os nomes dos judeus e a data de sua deportação, e que estão inseridos nas calçadas de Berlim na frente de suas antigas casas.
O presidente alemão, Joachim Gauck, visitou nesta sexta-feira um museu dedicado ao empresário Otto Weidt, que salvou seus funcionários judeus da deportação naquela noite. Fabricante de vassouras, Otto deu documentos falsos e escondeu seus funcionários judeus — alguns dos quais cegos ou surdos. “Isso mostra que há sempre uma escolha de se fazer o bem, mesmo em tempos difíceis, e de ouvir a sua consciência”, declarou o presidente a jornalistas.
O que foi a Noite dos Cristais
O episódio, que terminou com 90 pessoas mortas entre a população judaica alemã, foi apresentado na época pelo governo como uma revolta espontânea em resposta ao assassinato de Ernst vom Rath, secretário da embaixada alemã em Paris, por Herschel Grynszpan, um estudante de 17 anos que queria vingar a expulsão de sua família da Alemanha junto aos outros cerca de 15 mil judeus poloneses.
Os tumultos, porém, foram, de fato, organizados pelo regime de Hitler. Um livro recentemente publicado pelo jornalista Armin Fuhrer reafirma a teoria de que os tiros contra Vom Rath, no ombro e no estômago, não teriam sido fatais, mas que os dirigentes nazistas decidiram fazer do diplomata um mártir. “Hitler o deixou morrer”, destaca Armin, autor do livro “Herschel”. Ele explica que se baseou em documentos recentemente disponibilizados para pesquisadores, ao passo que os estudos históricos anteriores sobre o assunto foram baseados em fontes próximas ao regime nazista.