O primeiro-ministro, Jens Stoltenberg, assistiu ao enterro de Monica Elisabeth Boesei, uma mulher de 45 anos conhecida como a "mãe de Utoya" por ser a pessoa encarregada de organizar há 20 anos o acampamento de verão da juventude trabalhista na ilha de Utoeya, onde Breivik apareceu armado e matou 69 pessoas, em sua maioria menores de idade.
"Monica morreu. As rosas choram", disse o primeiro-ministro, antes de inclinar sobre o caixão branco e florido de Boesei. Em todo o país, familiares, autoridades e anônimos também deram adeus às vítimas, entre elas Sharidyn Svebakk-Bohn, chamada de Sissi, assassinada poucos dias depois de completar 14 anos, ou Johannes Buoe, um jovem da mesma idade.
Apresentando-se como um "cruzado" em guerra contra a "invasão muçulmana" e o multiculturalismo na Europa, Anders Behring Breivik, de 32 anos, permanece em prisão provisória em uma cadeia de segurança máxima.
A polícia norueguesa voltou a interrogá-lo na quarta-feira, pela terceira vez desde a detenção. Durante o interrogatório, Breivik explicou viagens ao exterior onde, segundo o advogado dele, buscou grande parte do equipamento utilizado para realizar o massacre. Pouco antes da matança em Utoya, Breivik colocou uma bomba no centro de Oslo que causou a morte de outras oito pessoas.
O advogado do detido deu a entender que outras pessoas teriam ajudado Breivik a obter o material, embora os investigadores considerem que, "com toda a certeza", o agressor agiu sozinho, como ele mesmo afirmou.
Saindo do anonimato pela primeira vez em um jornal nesta sexta-feira, o autor preferido de Breivik, o blogueiro Fjordman (o homem dos fiordes) se distanciou do discípulo, explicando que, após trocar alguns e-mails em 2009 e 2010, rejeitou o pedido de Breivik de se encontrarem.
"Desconheço por que me pediu, mas neguei. Não apenas porque falava de violência, mas também porque tinha a impressão de que era chato como um vendedor de aspirador de pó", explicou o blogueiro, cujo verdadeiro nome é Peder Jense, ao tabloide Verdens Gang (VG).