Foi em Coney Island e no Brooklyn que a água subiu às 8h45 locais (9h45 de Brasília), provocando caos nessa popular praia conhecida por seu parque de atrações, e Long Island, no nordeste do estado de Nova Iorque, que experimentaram um pouco da fúria do Irene. Em Manhattan, chuvas, relâmpagos e fortes rajadas de vento intermitentes marcaram o ritmo durante a noite de sábado e as primeiras horas de domingo em uma cidade fantasma, apesar de a situação não ter se agravado e não terem sido registrados feridos.
Na região de Meatpacking, junto ao rio Hudson no oeste da cidade, vários subsolos de edifícios foram inundados e as pessoas recorreram a bombas de extração para retirar a água. "Trabalhamos por toda a noite. Às vezes inunda, mas desta vez foi pior. Tiramos a água a noite inteira e continua cheio", disse Higinio Días, um mexicano de 56 anos e funcionário de um edifício na rua 14 com a Washington Street.
Durante a manhã, quando as rajadas de vento atingiam a cidade, as ruas e avenidas do Greenwich Village estavam desertas, e era impossível encontrar um táxi.
A comercial Bleecker Street estava bloqueada por conta da queda de uma árvore e outras ruas perto do Hudson tinham um pouco de água. A maioria dos comércios estava fechada nessa região habitualmente muito movimentada. Apenas um armazém estava aberto em várias quadras.
"Está tudo tranquilo. Não está acontecendo nada, mas o rio está subindo. Se chegar aqui, vou embora com o meu carro que é grande", afirmou Feliciano Fitz, outro mexicano de 43 anos que trabalhava nesse comércio.
No extremo sul de Manhattan, em Battery Park, em frente à baía de Nova Iorque e à Estátua da Liberdade, a maré alta matinal provocou a inundação da região próxima ao rio. "Definitivamente, isso não é normal. É uma consequência do Irene", assegurou um responsável do Departamento de Parques e Recreação de Nova Iorque, William Castro, que estava no local.
As ruas em torno de Wall Street também estavam desertas e apenas se viam algumas equipes de televisão que aguardavam o Irene. No entanto, após as 9h30 locais (10h30 de Brasília), a chuva e o vento diminuíram e o céu começou a clarear. A Estátua da Liberdade, que era apenas uma tênue sombra visível no horizonte até aquele momento, surgiu subitamente em todo seu esplendor.
Apesar de o mar estar agitado, já não havia água na esplanada da costa e começaram a aparecer os primeiros curiosos, com suas câmeras fotográficas. À tarde, a cidade recuperava lentamente seu cenário habitual, mas as coisas não serão fáceis na segunda-feira para milhões de nova-iorquinos que utilizam o sistema de transporte público, já que as autoridades não puderam dar uma data exata de retomada do crucial serviço de metrô.
"Vai ser difícil", admitiu o prefeito Michael Bloomberg em coletiva de imprensa neste domingo.