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Nova Iorque escapa quase ilesa da fúria do furacão Irene

Tormenta mudou a paisagem da cidade, mas provocou poucos estragos significativos

Furacão mudou a paisagem da cidade hoje
Furacão mudou a paisagem da cidade hoje Foto : Mike Stobe / Getty Images / AFP
Chuvas torrenciais e ventos fortes atingiram Manhattan e provocaram quedas de árvores e inundações em algumas ruas e subsolos, mas o Irene poupou Nova Iorque neste domingo e seguiu seu caminho como tempestade tropical para o nordeste dos Estados Unidos. Após uma inédita ordem de retirada obrigatória para 370 mil pessoas, não obedecida por alguns, que ficaram em suas casas, Nova Iorque escapou quase ilesa do tão temido furacão - depois rebaixado a tempestade tropical -, o primeiro a ameaçar a cidade desde o Glória em 1985.

Foi em Coney Island e no Brooklyn que a água subiu às 8h45 locais (9h45 de Brasília), provocando caos nessa popular praia conhecida por seu parque de atrações, e Long Island, no nordeste do estado de Nova Iorque, que experimentaram um pouco da fúria do Irene. Em Manhattan, chuvas, relâmpagos e fortes rajadas de vento intermitentes marcaram o ritmo durante a noite de sábado e as primeiras horas de domingo em uma cidade fantasma, apesar de a situação não ter se agravado e não terem sido registrados feridos.

Na região de Meatpacking, junto ao rio Hudson no oeste da cidade, vários subsolos de edifícios foram inundados e as pessoas recorreram a bombas de extração para retirar a água. "Trabalhamos por toda a noite. Às vezes inunda, mas desta vez foi pior. Tiramos a água a noite inteira e continua cheio", disse Higinio Días, um mexicano de 56 anos e funcionário de um edifício na rua 14 com a Washington Street.

Durante a manhã, quando as rajadas de vento atingiam a cidade, as ruas e avenidas do Greenwich Village estavam desertas, e era impossível encontrar um táxi.

A comercial Bleecker Street estava bloqueada por conta da queda de uma árvore e outras ruas perto do Hudson tinham um pouco de água. A maioria dos comércios estava fechada nessa região habitualmente muito movimentada. Apenas um armazém estava aberto em várias quadras.

"Está tudo tranquilo. Não está acontecendo nada, mas o rio está subindo. Se chegar aqui, vou embora com o meu carro que é grande", afirmou Feliciano Fitz, outro mexicano de 43 anos que trabalhava nesse comércio.

No extremo sul de Manhattan, em Battery Park, em frente à baía de Nova Iorque e à Estátua da Liberdade, a maré alta matinal provocou a inundação da região próxima ao rio. "Definitivamente, isso não é normal. É uma consequência do Irene", assegurou um responsável do Departamento de Parques e Recreação de Nova Iorque, William Castro, que estava no local.

As ruas em torno de Wall Street também estavam desertas e apenas se viam algumas equipes de televisão que aguardavam o Irene. No entanto, após as 9h30 locais (10h30 de Brasília), a chuva e o vento diminuíram e o céu começou a clarear. A Estátua da Liberdade, que era apenas uma tênue sombra visível no horizonte até aquele momento, surgiu subitamente em todo seu esplendor.

Apesar de o mar estar agitado, já não havia água na esplanada da costa e começaram a aparecer os primeiros curiosos, com suas câmeras fotográficas. À tarde, a cidade recuperava lentamente seu cenário habitual, mas as coisas não serão fáceis na segunda-feira para milhões de nova-iorquinos que utilizam o sistema de transporte público, já que as autoridades não puderam dar uma data exata de retomada do crucial serviço de metrô.

"Vai ser difícil", admitiu o prefeito Michael Bloomberg em coletiva de imprensa neste domingo.

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