Nesta sexta, a Justiça ordenou a prisão preventiva de Mursi, detido pelo Exército em um local secreto desde sua deposição, em 3 de julho, alegando que havia fugido em 2011 de uma prisão na qual havia ficado preso pelo regime de seu antecessor, Hosni Mubarak, com a ajuda do Hamas palestino.
As autoridades reforçaram a segurança no Cairo e no restante do país para o dia "considerado" de alto risco, no qual grupos adversários mediam forças nas ruas num momento em que a violência relacionada aos conflitos políticos deixou mais de 200 mortos em um mês. Mas o forte esquema não impediu choques violentos em diversas partes do Egito.
A polícia entrou em ação para impedir confrontos entre grupos pró e anti-Mursi, que também deixaram ao menos 19 feridos, indicaram veículos de comunicação locais. Já na capital, manifestantes dos dois grupos se enfrentaram a pedradas e com garrafas no início da tarde no bairro de Choubra, depois que opositores de Mursi queimaram retratos do presidente deposto, segundo testemunhas.
Convocados pela Irmandade Muçulmana, movimento ao qual Mursi pertence, milhares de egípcios se concentravam nos arredores de cerca de 30 mesquitas da capital, de onde devem sair os cortejos que se juntarão perto da Universidade do Cairo e diante da mesquita Raba al-Adawiya, dois locais onde os simpatizantes do presidente islamita deposto montaram seus acampamentos.
O movimento denuncia o "golpe de Estado" por meio do qual, no início do mês, o Exército depôs o primeiro presidente democraticamente eleito no Egito, depois de terem sido registradas no fim de junho manifestações de parte da população, que exigia sua partida.
"Somos Egito"
"Estou aqui para apoiar o verdadeiro presidente do Egito. Não aceitamos ninguém mais a não ser Mursi e vamos protestar pacificamente", afirmava El Baz Abu Mati, um morador proveniente do Delta do Nilo, no norte. O guia supremo da confraria islamita, Mohamed Badie, convocou protestos pacíficos e encorajou seus simpatizantes a não baixarem a guarda diante do "sangrento golpe de Estado".
No grupo oposto, milhares de manifestantes contrários a Mursi também começaram a se dirigir à Praça Tahrir, centro habitual das grandes concentrações. A multidão agitava bandeiras egípcias e imagens do chefe do Exército, o general Abdel Fatah al-Sissi, artífice da queda de Mursi e novo homem forte do país. "Somos Egito", bradava um orador, saudando para o nome do general, também ministro da Defesa e vice-primeiro-ministro.
O general Sissi havia convocado na quarta-feira os egípcios a sair às ruas para dar um mandato às Forças Armadas para "acabarem com o terrorismo e a violência". Mas desde quinta-feira o Exército alterna declarações de tons mais leves e mais ameaçadores. Afirmou que as afirmações do general não eram dirigidas contra a Irmandade Muçulmana, mas, ao mesmo tempo, em um comunicado mais informal divulgado na internet, deu 48 horas para o grupo renunciar à violência e aceitar a transição política.