Nove líderes da União Europeia defendem criação de dívida conjunta para enfrentar Covid-19
capa

Nove líderes da União Europeia defendem criação de dívida conjunta para enfrentar Covid-19

Políticos querem coronabonds para obter fundos no mercado na mesma base e para o benefício de todos

Por
AFP

publicidade

Líderes de nove países europeus, incluindo França, Itália e Espanha, pediram em uma carta um mecanismo que permita emitir dívida conjunta entre os Estados-membros para enfrentar o impacto negativo do novo coronavírus, conhecido como "coronabonds". "Precisamos trabalhar em um instrumento de dívida comum emitida por uma instituição europeia para obter fundos no mercado na mesma base e para o benefício de todos", diz o texto enviada ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

A carta, consultada pela AFP, chega às vésperas de uma cúpula europeia remota para abordar a resposta ao impacto humano e negativo do novo coronavírus, que já matou mais de 12 mil pessoas na Europa e ameaça arrastá-la para a recessão. Embora sem nomeá-los explicitamente, os presidentes da França, Itália, Espanha, Irlanda, Luxemburgo, Bélgica, Portugal, Grécia e Eslovênia advogam pela criação desses "coronabonds", uma ideia que nações como Alemanha e Holanda já rejeitaram.

Esta é uma reivindicação tradicional dos países do sul da Europa desde a crise da dívida que se seguiu à crise financeira de 2008, que se traduziu em altos níveis de desemprego, dívida e déficits públicos. Mas os países do Norte, que consideram os do Sul mais frouxos em termos de disciplina fiscal, se recusam a falar em coronabonds, um "falso debate sobre motivos ideológicos", nas palavras do ministro das Finanças alemão, Peter Altmaier.


O presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, garantiu no dia anterior, após um debate dos 27 ministros das Finanças europeus, que "nenhuma solução foi descartada" para conter o impacto econômico da pandemia. O comissário europeu para a Economia, Paolo Gentiloni, especificou que os coronabonds estão "na mesa" de discussões. "Mas é aí que vão ficar", ironizou um diplomata europeu. Para limitar o impacto do coronavírus, os países europeus multiplicaram seus gastos públicos para apoiar empresas, sistemas de saúde e indivíduos, de modo que a Comissão Europeia relaxou suas regras sobre auxílio estatal e disciplina fiscal. tjc/mb/mr