Segundo o porta-voz do governo, Zalmai Ayubi, policiais atiraram para o ar para dispersar a multidão, o que não permite esclarecer como os nove protestantes foram atingidos. As rotas que levam à cidade estão bloqueadas por forças de segurança e os manifestantes seguem para os escritórios da ONU e para os edifícios do governo carregando bastões e cópias do Corão sobre suas cabeças.
Onda de protestos começou na sexta
Oito funcionários estrangeiros das Nações Unidas e quatro manifestantes morreram num ataque contra os escritórios da ONU, na cidade de Mazar-i-Sharif, no norte do país, ontem. Os manifestantes invadiram o local, dispararam contra guardas e atearam fogo dentro do complexo. Pelo menos dois dos funcionários da ONU foram decapitados no ataque considerado o mais violento contra as Nações Unidas desde a invasão no Afeganistão em 2001.
Conforme o porta-voz da polícia Lal Mohammad Ahmadzai afirmou ontem, talibãs estavam infiltrados no protesto. O grupo assumiu hoje a reponsabilidade do atentado. "Alguns manifestantes estavam claramente armados e invadiram o edifício para queimar o local", afirmou em Nova York o diretor de operações para manutenção da paz da ONU, Alain Le Roy.
O presidente americano Barack Obama condenou a invasão aos escritórios “nos termos mais severos possíveis” ainda na sexta-feira. “Destaco a importância de todas as partes rejeitarem a violência e resolverem as diferenças através do diálogo”, disse.
Queima do Corão
Na noite de domingo passado, o pastor evangélico norte-americano Terry Jones queimou um exemplar do Corão no interior de sua igreja em Gainesville, Flórida. O religioso celebrou um "julgamento" e considerou o livro sagrado dos muçulmanos "culpado" de vários delitos, entre eles, assassinato. Em seguida, executou a condenação: colocou fogo no exemplar. Muitos afegãos só ficaram sabendo do fato quando o presidente do país, Hamid Karzai, condenou o ato quatro dias depois.
Ainda assim o pastor assegurou que não se sente responsável pelo ataque. "Ficamos aflitos com esta notícia", declarou Jones que acusou "os elementos radicais do Islã de procurar uma desculpa para justificar sua violência".
Com informações da AE e AFP