"O número de mortos aumentou a 14 e o de feridos a 28", disse o porta-voz do ministério da Saúde, Oleg Salatai. O balanço oficial anterior era de 10 mortos e 15 feridos. O atentado foi executado por um homem-bomba, segundo os investigadores, que destacaram que algumas pistas apontam um vínculo entre os dois ataques.
As primeiras investigações indicam que "o artefato explosivo foi detonado por um homem-bomba", afirma um comunicado do comitê de investigação russo. Os explosivos utilizados no atentado têm elementos "idênticos" aos empregados no atentado de domingo, o que "confirma a versão de um vínculo entre os dois atentados", completa a nota do organismo responsável pelas principais investigações na Rússia.
O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou o reforço da segurança em todo o país diante da onda de atentados, que acontece a menos de seis semanas do início dos Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi (7 a 23 de fevereiro). "Putin deu ao Comitê Nacional Antiterrorismo uma série de instruções para reforçar a segurança no conjunto do território da Federação da Rússia", declarou um porta-voz do comitê citado pelas agências de notícias russas.
A explosão aconteceu às 8h23min locais (2h23min de Brasília) em um ponto próximo do centro de Volgogrado, cidade que fica a quase 1mil quilômetros da capital Moscou. O ataque destruiu completamente o ônibus, segundo imagens exibidas pela televisão russa. "Em um primeiro momento não percebi que era um ônibus elétrico pelo estado em que ficou", declarou uma moradora da cidade à televisão pública russa.
O ministério de Situações de Emergência informou que foram mobilizados mais de 450 oficiais das forças de segurança e 120 agentes dos serviços técnicos. O governador da região de Volgogrado, Serguey Bojenov, anunciou uma reunião de emergência do governo regional e um reforço das medidas de segurança.
O Kremlin informou que Putin abordou a situação em um encontro com o ministro do Interior, Vladimir Kolokoltsev, e com o diretor do Serviço Secreto, Alexander Bortnikov. Este último deve viajar a Volgogrado. Outro atentado atribuído a uma mulher-bomba deixou 17 mortos no domingo na mesma cidade, que estava lotada para o período das festas de fim de ano.
O atentado alimentou os temores sobre a segurança dos Jogos Olímpicos de Inverno, que acontecerão em fevereiro em Sochi, estação balneária situada ao pé do Cáucaso. O ministério do Interior anunciou a intensificação das medidas de segurança em todas as estações e principais aeroportos do país.
Após o atentado na estação ferroviária, as autoridades regionais anunciaram a adoção do nível elevado de alerta antiterrorista na região de Volgogrado para os próximos 15 dias. Segundo o site Lifenews.ru, a autora do atentado, uma mulher que detonou os explosivos diante da sala de controle de segurança da estação, era Oksana Aslanova. A cabeça da suicida foi encontrada no local do ataque.
As mulheres-bomba, conhecidas como "viúvas negras", buscam vingar as mortes de integrantes de suas famílias nos confrontos no Cáucaso Norte contra o exército, atacando civis russos. A rebelião islamista busca instaurar um estado islamita na região. O líder do movimento, Doku Umarov, inimigo número um do Kremlin, convocou em julho a execução de ataques para impedir por "todos os meios" a realização dos Jogos Olímpicos de Sochi.