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Novos confrontos na Síria deixam 128 mortos

Bombardeios e disparos somente na cidade de Latamna teriam deixado 40 vítimas

Confrontos entre forças sírias e opositores deixaram saldo de mais de 120 mortos
Confrontos entre forças sírias e opositores deixaram saldo de mais de 120 mortos Foto : YouTube / AFP / CP
Ao menos 128 pessoas morreram em violentos confrontos neste sábado na Síria, onde forças do governo do presidente Bashar Al Assad e manifestantes contrários ao regime se enfrentam desde março do ano passado. A oposição acusa o governo de intensificar os bombardeios às vésperas do cessar-fogo, previsto para 10 de abril. No entanto, o regime sírio diz que os manifestantes é que estão se tornando mais violentos, aproveitando-se da retirada de tropas oficiais de algumas cidades. O grupo de oposição Obervatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou que entre as vítimas estão 86 civis, incluindo "40 vítimas de bombardeios e disparos na cidade de Latamna, na província de Hama (centro)". O OSDH completou que 16 soldados e 26 desertores também morreram, em diferentes regiões.

As Forças Armadas bombardearam Zabadani, a 47 km ao noroeste de Damasco, e na província de Idleb (noroeste), perto da fronteira com a Turquia, os soldados enfrentaram desertores. Em Homs, um jornalista de 17 anos, Anas al-Halwani, foi morto a tiros quando tentava retirar outro militante ferido, segundo os Comitês Locais de Coordenação (LCC), que organizam os protestos contra Assad. "Anas ficou seis horas deitado na calçada em consequência da presença dos franco-atiradores, antes que alguns jovens conseguissem retirá-lo. Morreu pouco depois", afirma um comunicado dos LCC.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, afirmou na sexta-feira em Nova York, que os ataques do regime são "uma violação da postura da ONU". O Conselho de Segurança da ONU aprovou na quinta-feira, por unanimidade, uma declaração que pede ao regime sírio o respeito da data limite de 10 de abril para o fim das principais operações militares, ao mesmo tempo que pede à oposição síria para fazer o mesmo, no mais tardar nas 48 horas seguintes. "As autoridades sírias são plenamente responsáveis pelas graves violações dos direitos humanos. Isto deve parar", afirmou Ban Ki-moon. "A promessa do presidente (sírio) Bashar al Assad de acabar com as operações militares até 10 de abril não pode servir de desculpa para continuar matando", disse Martin Nesirky, porta-voz do secretário-geral. "Tais ações fragilizam a postura consensual do Conselho de Segurança definida no plano de paz estabelecido pelo emissário da ONU e Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan", completou.

Ban Ki-moon se mostrou "extremamente preocupado" com a crise humanitária na Síria. O número de refugiados nos países vizinhos é cada vez maior. Nas últimas 24 horas, 700 refugiados sírios entraram na Turquia, elevando a mais de 24 mil o número de pessoas procedentes da Síria que buscaram proteção no país vizinho.

A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que em março realizou com a ONU uma missão de avaliação humanitária na Síria, calculou a necessidade de uma ajuda humanitária de 70 milhões de dólares. A ONU anunciou em 29 de março que mais de um milhão de sírios precisavam de ajuda humanitária.

A Síria é cenário desde março de 2011 de uma revolta popular violentamente reprimida. Segundo o OSDH, mais de 10 mil pessoas morreram nos confrontos, em sua grande maioria civis.

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