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Número de mortos em avalanche no Nepal passa de 580

Região convive com novo risco de inundação

Número de mortos em avalanche no Nepal passa de 580
Número de mortos em avalanche no Nepal passa de 580 Foto : Manan Vatsyayana / AFP

A corrida contra o tempo das equipes de emergência para encontrar sobreviventes prossegue nesta sexta-feira (28), dois dias após a avalanche devastadora que deixou mais de 580 mortos na fronteira entre Nepal e China, enquanto persiste a ameaça de novas inundações.

Os milhares de socorristas mobilizados nos dois lados da fronteira já recuperaram 584 corpos — 579 no Nepal e cinco na China — da grande massa de lama que, na quarta-feira, sepultou casas, derrubou pontes e arrastou veículos, tanto no Nepal como na região autônoma chinesa do Tibete.

Mais de 1,9 mil pessoas estão desaparecidas, incluindo centenas de turistas que visitavam o Himalaia e dezenas de peregrinos hindus que seguiam para o sagrado monte tibetano Kailash.

O Centro Geológico dos Estados Unidos (USGS) indicou que a tragédia foi provocada pelo colapso parcial de uma geleira, o que desencadeou um enorme fluxo de água gelada e sedimentos.

A torrencial massa de gelo e lama também formou enormes acúmulos de água. Um deles se rompeu nesta sexta-feira no Tibete, colocando em risco as equipes que trabalham na área.

A polícia nepalesa pediu a todos os socorristas que "se coloquem imediatamente em segurança", mas o alerta foi suspenso no início da tarde, sem o registro de novas inundações.

Ajuda chinesa

Do lado chinês, a imprensa estatal informou que o risco de inundações associado a este lago estava "diminuindo gradualmente" e que as tarefas de resgate "acontecem de forma ordenada".

Um primeiro grupo de 21 socorristas chineses conseguiu finalmente chegar, na tarde desta sexta-feira, à área do posto fronteiriço de Gyirong, no coração da zona devastada, informou a imprensa estatal chinesa.

O presidente chinês, Xi Jinping, que comandou nesta sexta-feira uma reunião sobre as operações de resgate, ofereceu ajuda ao vizinho Nepal.

Os serviços de emergência continuam trabalhando para tentar localizar sobreviventes em áreas devastadas, onde começam a acabar alimentos e água potável.

O Exército nepalês localizou mais de cem pessoas presas no túnel de um projeto hidrelétrico.

"Não tenho notícias desde que falei com ele naquele dia às 7h", declarou à imprensa Sita Adhikari, cujo marido está entre os bloqueados. "Também não sabemos em que ponto estão os esforços para resgatá-los".

O porta-voz militar Raja Ram Basnet disse à AFP que dois helicópteros foram enviados e quase 350 trabalhadores e moradores da região foram colocados em segurança. Trabalhadores resgatados no vale do rio Trishuli descreveram uma catástrofe que aconteceu com uma velocidade assustadora.