A colisão na quarta-feira (28) entre dois trens de alta velocidade, que deixou pelo menos 69 mortos na província de Toledo, já é a pior tragédia ferroviária na Espanha desde 2013. Este foi o segundo desastre desse tipo em menos de um ano no país.
A seguir, o que se sabe até agora sobre o acidente.
08h30, falha no sistema
Às 7h54 locais (3h54 no horário de Brasília), o trem 6076 da companhia privada Iryo - administrada por um consórcio do qual a italiana FS detém 51%- partiu da estação de Atocha, em Madri, com destino a Sevilha, no sul, transportando 152 pessoas.
Minutos depois, às 8h00, o trem AVE 2080 da estatal Renfe seguiu o mesmo percurso, com quase 400 passageiros a bordo. As condições meteorológicas eram muito boas nessa linha de trem de alta velocidade, a primeira desse tipo inaugurada na Espanha em 1992.
"Por volta das 8h30", relatou horas mais tarde o ministro dos Transportes, Óscar Puente, o sistema de sinalização LZB, que controla em tempo real a circulação dos trens de alta velocidade, sofreu uma avaria.
Essa falha provocou a parada dos seis trens que se encontravam em um trecho de 69 quilômetros, entre eles os dois que colidiriam pouco depois. A gestão do tráfego foi transferida para o centro de controle com sede em Madri, conforme previsto nesses casos.
08h36, ordem equivocada
Naquele momento, os trens "estavam perfeitamente localizados", apesar da falha no sistema, assegurou Óscar Puente. No entanto, às 8h36 o centro de controle, "por meio de seus operadores", autorizou o trem da Renfe a "retomar a marcha normalmente".
Essa decisão foi tomada em circunstâncias "inexplicáveis", segundo o ministro. A ordem "equivocada" foi dada apesar do sinal vermelho que impedia a retomada devido à presença do trem da Iryo mais adiante na mesma via, lamentou Puente.
Em 17 minutos, o trem percorreu 25 quilômetros sem que ninguém o detivesse.
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08h53, colisão mortal
Às 8h53, o trem da Renfe colidiu "por trás" com o Iryo, que havia ficado parado na mesma via. Para o ministro dos Transportes, o acidente ocorrido em uma reta de aparente boa visibilidade, no município de Urda, no coração da península, é "verdadeiramente inacreditável".
Segundo o ministro, ainda se desconhece a velocidade a que circulava o trem da Renfe no momento do impacto, embora naquele trecho pudesse "chegar a até 200 km/h". A violência da colisão lançou dois vagões do Iryo sobre um declive, transformando-os em um amontoado de ferros retorcidos.
Pelo menos 69 pessoas morreram nos dois trens e mais de 100 ficaram feridas em diferentes gravidades, segundo as autoridades regionais. Com este balanço provisório, o acidente de Urda é a maior catástrofe ferroviária na Espanha desde o descarrilamento que deixou 80 mortos em Santiago de Compostela, na região da Galícia (noroeste), em 2013.
Também é o segundo desastre que atinge as linhas de alta velocidade do país neste ano. Antes, houve o choque entre dois trens que deixou 46 mortos em 18 de janeiro em Adamuz, Andaluzia (sul).