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Obama alerta para "guerra" em caso de veto do Congresso a acordo com Irã

Presidente afirma que EUA arriscam perder posição de protagonistas da diplomacia internacional

Presidente afirma que EUA arriscam perder posição de protagonistas da diplomacia internacional
Presidente afirma que EUA arriscam perder posição de protagonistas da diplomacia internacional Foto : Alex Wong/ Getty Images North America/ AFP/ CP
O presidente americano, Barack Obama, alertou nesta quarta-feira que uma negativa do Congresso ao acordo nuclear com o Irã pode significar guerra no Oriente Médio. "Um repúdio ao acordo deixaria uma única opção a toda a administração americana realmente decidida a impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear. Não o digo por ser provocador. É um fato", enfatizou o presidente em discurso, em Washington, no qual defendeu o acordo alcançado entre Teerã e as grandes potências, em 14 de julho.

O Congresso americano votará antes de 17 de setembro uma resolução de desaprovação do acordo nuclear. Se a iniciativa for aprovada, Obama a vetaria, e para superar este veto, os legisladores teriam que dispor de dois terços dos votos nas duas câmaras do Congresso, um número que os republicanos dificilmente alcançariam, pois a maioria dos democratas a princípio se manteria fiel ao presidente.

Os republicanos denunciaram a retórica de Obama e o que consideram uma falsa dicotomia entre a guerra e a paz. A alternativa a um mau acordo, afirmam, é um acordo melhor, que não só submeta o Irã a inspeções e limite seu enriquecimento de urânio, mas que desmonte integralmente seu programa nuclear.

Os senadores John McCain e o pré-candidato presidencial, Lindsey Graham, acusaram Obama de usar argumentos fáceis de ser refutados. "Ninguém acredita que a força militar possa ou deva resolver todos os problemas", relataram em comunicado conjunto.

Mas para garantir que pelo menos um terço dos membros do Congresso estarão do seu lado, Obama defendeu o caráter histórico e pacífico do acordo. Para fortalecer seu discurso, o presidente falou do mesmo local onde seu antecessor, John F. Kennedy, proferiu, em 1963, em plena Guerra Fria, um discurso militante a favor do fim dos testes nucleares.

"Muitas das pessoas que foram a favor da guerra no Iraque agora estão se colocando contra o acordo nuclear com o Irã", apontou o presidente, exigindo dos legisladores optar, ao contrário, pela tradição americana de uma diplomacia forte. "Perderemos algo mais precioso. A credibilidade dos Estados Unidos como líder da diplomacia. A credibilidade dos Estados Unidos como âncora do sistema internacional", acrescentou.

O debate sobre o acordo alcançado em Viena entre o Irã e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, França, China, Reino Unido e Alemanha) esfriou consideravelmente as relações entre os Estados Unidos e Israel. O governo do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, condena o acordo, pois considera que não submete o Irã a condições estritas que impeçam que o país desenvolva uma arma nuclear, a qual poderia, eventualmente, usar contra Israel.

Em seu discurso, Obama disse que Israel foi o único país que se expressou publicamente contra o acordo e assegurou que, caso Teerã não respeite o acordado, será sancionado. O discurso foi traduzido ao hebraico e retransmitido pela rádio pública israelense. Se o Irã fizer trapaça com o tema nuclear, "poderemos pegá-los e o faremos", acrescentou o presidente.

O acordo estabelece que Teerã nunca vai desenvolver a bomba atômica, em troca de uma suspensão progressiva das sanções internacionais que sufocam sua economia. Finalmente, Obama admitiu que o Irã poderá usar recursos provenientes da flexibilização das sanções para financiar "organizações terroristas", mas argumentou que isto é preferível a que desenvolva armas nucleares.

"Qualquer benefício que o Irã possa obter com a flexibilização das sanções empalidece em comparação com o perigo que pode representar com uma arma nuclear", afirmou. Mas, para o presidente americano, a maior parte do dinheiro será usado pelas autoridades iranianas para melhorar a situação da população, que sofreu muitos anos com a asfixia econômica causada pelas sanções internacionais. Até "um regime tão agressivo como o Irã não pode ignorar as esperanças" suscitadas entre a população, concluiu.