Em uma linguagem direta, o presidente também atacou o lobby das armas, que "mentiu deliberadamente" para o fracasso do projeto de lei. O texto obteve 54 votos contra 46 no Senado, mas o mínimo necessário era de 60 votos.
A rejeição do projeto marca uma derrota política para o presidente, que prometeu continuar a luta. "Vejo isso apenas como o primeiro round", frisou.
A proposta "representava moderação e bom senso", disse um Obama visivelmente irritado, ao lado de vítimas da violência do uso de armas de fogo, como a ex-congressista Gabrielle Giffords e familiares das crianças assassinadas no massacre da escola em Newtown. "Famílias que conhecem uma dor indescritível invocaram a coragem para pedir a seus líderes eleitos não apenas que honrassem a memória de seus filhos, mas que protegessem a vida de todas as nossas crianças", afirmou o governante.
"Alguns minutos atrás, uma minoria no Senado dos Estados Unidos decidiu que isso não valia a pena", acrescentou o presidente. "Em vez de apoiar esse consenso, o lobby das armas e seus aliados mentiram deliberadamente sobre o projeto", denunciou Obama. Ele disse, ainda, que os republicanos e alguns democratas caíram nas mãos da política e tiveram medo que o rico setor armamentista venha a cobrar sua conta nas próximas eleições. "Eles cederam à pressão. E começaram a procurar por uma desculpa, qualquer desculpa para votar não", avaliou o presidente.
Os democratas que votaram contra, nesta quarta, representam estados rurais, como Arkansas e Dakota do Norte, ou nos quais várias famílias são associadas à NRA e possuem armas para autodefesa, caça, tiro esportivo, ou simplesmente como peça de coleção. "Estou assumindo nossas expressões de dor, e nosso compromisso para fazer algo diferente para prevenir que essas coisas aconteçam não são palavras vazias", garantiu. "Acredito que seremos capazes de fazer isso. Cedo ou tarde, vamos conseguir a coisa certa. A memória dessas crianças exige", completou.