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Obama muda política para o Oriente e defende Estado Palestino pela 1ª vez

Presidente dos EUA criticou autoridades de países islâmicos em conflito e exigiu que deixem o governo

Obama muda política e vai oferecer incentivos econômicos ao mundo árabe
Obama muda política e vai oferecer incentivos econômicos ao mundo árabe Foto : Saul Loeb/AFP
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quinta-feira uma mudança de política em relação aos países árabes e reforçou que seu governo está ao lado dos manifestantes pela democracia. Ele defendeu, pela primeira vez, a criação de um Estado Palestino, como solução para o conflito entre islâmicos e israelenses. Ele prometeu, ainda, um programa de ajuda econômica aos países comprometidos com a democracia, similar ao modelo de assistência empregado na reconstrução da Europa Oriental, após a queda da "Cortina de Ferro" da Guerra Fria.

Menos de três semanas depois que comandos americanos mataram Osama bin Laden, Obama também afirmou que as revoltas no mundo árabe provaram que a Al-Qaeda está perdendo sua luta por relevância, e que sua ideologia extremista se encontra em um "beco sem saída". Buscando encorajar a mudança política, Obama anunciou um programa para oferecer US$ 1 bilhão de alívio da dívida para financiar o Egito e a Tunísia, com base no apoio financeiro que sustentou a evolução do Leste Europeu pós-soviético.

Especificamente, o plano buscará reorientar o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, que ajudou a reconstruir economias de mercado na Europa pós-comunista, a desempenhar um papel similar no Oriente Médio. Os Estados Unidos também trabalharão com o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Banco de Desenvolvimento Africano para liberar mais financiamento e garantias de crédito para encorajar a reforma democrática no mundo árabe, afirmaram fontes oficiais.

"O fato de não mudar nosso enfoque seria uma ameaça de entrarmos numa espiral agravando a divisão entre Estados Unidos e o mundo árabe", relatou Obama em um discurso pronunciado no departamento de Estado. O presidente falou sobre a onda de protestos que explodiu há seis meses em diversos países islâmicos e atacou o presidente sírio, Bashar Al Assad, líder de uma repressão sangrenta contra opositores. "O presidente Assad precisa escolher entre liderar a transição ou partir. O governo da Síria deve parar de atirar contra os manifestantes e permitir os protestos pacíficos", enfatizou Obama.

Ele exigiu o fim da violência contra os manifestantes, a libertação dos presos políticos e o acesso de grupos de defesa dos direitos humanos a cidades como Deraa, centro dos protestos na Síria. Caso contrário, Assad e seu regime "serão desafiados de dentro e seguirão isolados no exterior".

Obama pediu um diálogo real entre o governo e as forças da oposição no Bahrein, em uma demonstração que forçou os Estados Unidos a escolher entre um aliado militar chave e seu apoio aos princípios universais. "Temos insistido publicamente e em particular que as prisões em massa e o uso brutal da força são opostos aos direitos universais" dos cidadãos do Bahrein. "A única saída para o governo e a oposição é o diálogo, e não pode haver diálogo real quando muitos membros da oposição pacífica estão na prisão", lamentou.

Obama disse ainda que o presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, deveria cumprir a promessa de deixar o poder, em meio a novos indícios de que o líder estaria tentando se manter como governante. O presidente americano destacou que as revoltas demonstraram que a região precisa escolher "entre esperança e ódio, entre os grilhões do passado e a promessa de futuro".


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