Menos de três semanas depois que comandos americanos mataram Osama bin Laden, Obama também afirmou que as revoltas no mundo árabe provaram que a Al-Qaeda está perdendo sua luta por relevância, e que sua ideologia extremista se encontra em um "beco sem saída". Buscando encorajar a mudança política, Obama anunciou um programa para oferecer US$ 1 bilhão de alívio da dívida para financiar o Egito e a Tunísia, com base no apoio financeiro que sustentou a evolução do Leste Europeu pós-soviético.
Especificamente, o plano buscará reorientar o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, que ajudou a reconstruir economias de mercado na Europa pós-comunista, a desempenhar um papel similar no Oriente Médio. Os Estados Unidos também trabalharão com o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e o Banco de Desenvolvimento Africano para liberar mais financiamento e garantias de crédito para encorajar a reforma democrática no mundo árabe, afirmaram fontes oficiais.
"O fato de não mudar nosso enfoque seria uma ameaça de entrarmos numa espiral agravando a divisão entre Estados Unidos e o mundo árabe", relatou Obama em um discurso pronunciado no departamento de Estado. O presidente falou sobre a onda de protestos que explodiu há seis meses em diversos países islâmicos e atacou o presidente sírio, Bashar Al Assad, líder de uma repressão sangrenta contra opositores. "O presidente Assad precisa escolher entre liderar a transição ou partir. O governo da Síria deve parar de atirar contra os manifestantes e permitir os protestos pacíficos", enfatizou Obama.
Ele exigiu o fim da violência contra os manifestantes, a libertação dos presos políticos e o acesso de grupos de defesa dos direitos humanos a cidades como Deraa, centro dos protestos na Síria. Caso contrário, Assad e seu regime "serão desafiados de dentro e seguirão isolados no exterior".
Obama pediu um diálogo real entre o governo e as forças da oposição no Bahrein, em uma demonstração que forçou os Estados Unidos a escolher entre um aliado militar chave e seu apoio aos princípios universais. "Temos insistido publicamente e em particular que as prisões em massa e o uso brutal da força são opostos aos direitos universais" dos cidadãos do Bahrein. "A única saída para o governo e a oposição é o diálogo, e não pode haver diálogo real quando muitos membros da oposição pacífica estão na prisão", lamentou.
Obama disse ainda que o presidente iemenita, Ali Abdullah Saleh, deveria cumprir a promessa de deixar o poder, em meio a novos indícios de que o líder estaria tentando se manter como governante. O presidente americano destacou que as revoltas demonstraram que a região precisa escolher "entre esperança e ódio, entre os grilhões do passado e a promessa de futuro".