Foi divulgado que Obama apoia a estratégia pacífica de diálogo do líder, chamada de "terceira via", e encorajou a China a retomar as negociações com o Dalai Lama ou um de seus representantes.
A declaração rejeitou as acusações de Pequim de que o líder tenha intenções de separar o Tibet da China. "O presidente reiterou a posição dos Estados Unidos de que o Tibet é parte da República Popular da China", indica o texto. "O Dalai
Lama afirmou que não busca a independência do Tibet, e que espera que o diálogo entre seus representantes e o governo chinês aconteça".
Obama recebeu na Casa Branca o Dalai Lama, desafiando a China, que alertou para uma atitude que "dificultaria seriamente" a relação entre os dois países.
A reunião aconteceu na chamada "Sala dos Mapas", e não no Salão Oval, onde geralmente Obama recebe os líderes estrangeiros. O encontro foi a portas fechadas, e o Dalai Lama não foi visto na Casa Branca.
O Conselho de Segurança Nacional (CSN) informou, pelo Twitter, que os dois se reuniram devido ao fato de o Dalai Lama ser um "líder religioso e cultural respeitado internacionalmente".
Lobsang Sangay, o primeiro-ministro tibetano no exílio, saudou Obama por sua terceira reunião como presidente com o líder. O último encontro entre os dois ganhadores do Nobel da Paz foi em 2011, também em Washigton.
O premiê explicou que os dois discutiram os direitos humanos nas áreas do Tibet controladas pela China.
"É uma poderosa mensagem para os tibetanos, por dar a eles a sensação de que são ouvidos, até pela pessoa mais poderosa do mundo", afirmou Sangay à AFP.
A China, que classifica o Dalai Lama como um "lobo em pele de cordeiro" e o acusa de lutar pela independência do Tibete, reagiu rapidamente ao anúncio do evento.
"Nós nos opomos firmemente a isso", declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying, que pediu o imediato cancelamento do encontro.
Hua chamou o Dalai Lama de "exilado político que há muito tempo participa de atividades separatistas contra a China usando o pretexto da religião".
Sangay retrucou as acusações, dizendo que o líder já havia deixado claro que não passava uma mensagem "contra a China", e que busca pacificamente a autonomia do Tibete.
A visita ocorre logo depois de uma viagem do secretário de Estado americano, John Kerry, a Pequim. Em novembro, Obama é esperado para uma cúpula na capital chinesa entre países da Ásia e do Pacífico, um evento importante demais para ser cancelado pelo governo chinês como retaliação.
O presidente americano também irá à Ásia em abril, mas sem que haja uma parada na China planejada. Entretanto, as tensas relações do país asiático com seus vizinhos serão um dos principais temais a ser debatido.