O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cumprimentou o presidente eleito e afirmou que "continuará incentivando o Irã a ter um papel construtivo nos assuntos regionais e internacionais", disse seu porta-voz, Martin Nesirky. Ban "tem a intenção de continuar trabalhando com as autoridades iranianas e o presidente eleito sobre os temas de importância para a comunidade internacional e o bem estar do povo iraniano", informou Nesirky em um comunicado.
O Ocidente, assim como Israel - principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio -, suspeitam que o programa nuclear do Irã tem como objetivo desenvolver armas nucleares, mas o Irã insiste em que que tem fins pacíficos, como a geração de energia. Por este motivo, há vários anos ONU e os países ocidentais têm imposto uma série de sanções ao Irã, denunciando que o país visa a se equipar com uma arma atômica.
Em um comunicado emitido pela Casa Branca após a eleição de Rohani, os Estados Unidos se disseram prontos a estabelecer um contato "direto" com o Irã sobre o programa nuclear do país. "Os EUA estão prontos para se aproximar do governo iraniano diretamente a fim de alcançar uma solução diplomática que responda completamente às preocupações da comunidade sobre o programa nuclear do Irã", destacou a nota.
Embora tenha destacado que a votação de sexta-feira foi celebrada em um clima de falta de transparência, censura da mídia, da internet e de mensagens de texto e de "um intimidador ambiente de segurança que limitou a liberdade de expressão e reunião", a Casa Branca disse respeitar o desejo do povo iraniano e saudou sua participação nas eleições, elogiando "sua coragem em fazer com que suas vozes sejam ouvidas". "Apesar destes obstáculos e limitações do governo, o povo iraniano estava determinado a agir para forjar seu futuro", acrescentou.
Principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, Israel minimizou o papel de Rohani, destacando que não é ele, mas o guia supremo, Ali Khameinei, quem decide sobre a política nuclear iraniana. "O programa nuclear do Irã foi decidido até hoje por Khameini e não pelo presidente iraniano", destacou o Ministério israelense das Relações Exteriores, em um comunicado. "Após as eleições, o Irã continuará a ser julgado por seus atos, tanto no campo nuclear como no do terrorismo. O Irã deve atender às demandas da comunidade internacional de suspender seu programa nuclear e cessar a propagação do terrorismo no mundo", acrescentou o texto.
O ministério, ainda, pôs em questão a moderação atribuída ao novo presidente iraniano. "O presidente eleito do Irã foi selecionado pelo aiatolá Khamenei, que desqualificou e impediu de se apresentar os candidatos não conformes à sua visão extremista", afirmou. Um alto funcionário israelense observou o desejo de mudança expresso pelos eleitores iranianos. "O povo iraniano tem assinalado a seus dirigentes que é contrário à visão que tem levado a sanções e tornado sua vida mais difícil", declarou este alto funcionário, que pediu para ter sua identidade preservada.