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O presidente americano, Barack Obama, expressou sua preocupação ao pedir que o CNT "demonstre a liderança necessária para conduzir o país por uma transição que respeite os direitos do povo líbio". A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, quer que os dirigentes rebeldes "atuem com responsabilidade para manter a paz e a estabilidade em todo o país".
Os rebeldes estão a ponto de tomar Trípoli e os ocidentais temem que a queda de Muammar Kadhafi, que dirigiu o país com mãos de ferro durante quatro décadas, ceda lugar a um regime de vingança entre vencedores e vencidos, comprometendo as possibilidades de uma reconciliação nacional. "Muitos líbios nos dizem que haverá ajuste de contas porque estamos em uma situação de guerra civil e o conflito só serviu para exacerbar as tensões veladas que existiam há muito tempo", disse à AFP um diplomata europeu especialista em Líbia.
Este clima pode alimentar forças capazes de colocar em perigo a unidade do país, que conta com dezenas de tribos com interesses divergentes. "A história mostra que quando a conquista do poder é alcançada através das armas e não de maneira pacífica, a legitimidade militar entra em contradição com a legitimidade democrática", explica Álvaro de Vasconcelos, presidente do Instituto de Segurança da União Europeia.
"Para evitar isso, é necessário integrar os diferentes componentes da sociedade líbia ao futuro governo de transição, incluindo forças islâmicas muito conservadoras ligadas ao Irmãos Mulçumanos, mas que não são violentas" e que segundo o especialista também têm direito a serem representadas. "O perigo é a CNT, em Benghazi, pensar que pode dominar o futuro governo de transição", e acrescenta ainda que o poder não pode ser monopolizado pelos representantes da região da Cirenaica (leste) sem incluir a oposição tripolitana (oeste).
Para o diplomata europeu, "o mais preocupante são as questões de segurança, pois existe muita gente no país cujos interesses são contrários a uma estabilização, começando pelos salafistas que possuem conexões com a AQMI", ramo da Al- Qaeda no Magreb islâmico. Enquanto a Otan se preocupou em bombardear a Líbia, a União Europeia, excluída dos conflitos, disse estar disposta a intervir agora para ajudar o país a construir instituições democráticas.
Segundo diplomatas, é provável que haja missões europeias para criar novas forças de segurança, como no Iraque e no Afeganistão, bem como uma força de observação no terreno para evitar o descontrole. "A Líbia necessita de uma transição ordenada e um Estado verdadeiramente democrático, a tarefa é imensa. A ONU e outros organismos devem ajudar", disse o chefe da diplomacia sueca, Carl Bildt.