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Ocidente quer evitar caos após a queda de Kadhafi

Otan e EUA temem que governo de líder líbio dê lugar a um regime de vingança

Pessoas em Tajura, um subúrbio de Tripoli, celebrando no início da manhã em 22 agosto
Pessoas em Tajura, um subúrbio de Tripoli, celebrando no início da manhã em 22 agosto Foto : Mahmud Turkia / AFP / CP
Os ocidentais começam a preparar a era pós-Kadhafi sem esperar a queda do ditador e asseguram ter metas: evitar a cisão do país e assegurar uma transição democrática. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, pediu nesta segunda aos dirigentes da rebelião líbia (CNT) "a garantia que a transição seja feita com calma e com a participação de todos, que o país permaneça unido e que o futuro seja baseado na reconciliação e no respeito aos Direitos Humanos".

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O presidente americano, Barack Obama, expressou sua preocupação ao pedir que o CNT "demonstre a liderança necessária para conduzir o país por uma transição que respeite os direitos do povo líbio". A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, quer que os dirigentes rebeldes "atuem com responsabilidade para manter a paz e a estabilidade em todo o país".

Os rebeldes estão a ponto de tomar Trípoli e os ocidentais temem que a queda de Muammar Kadhafi, que dirigiu o país com mãos de ferro durante quatro décadas, ceda lugar a um regime de vingança entre vencedores e vencidos, comprometendo as possibilidades de uma reconciliação nacional. "Muitos líbios nos dizem que haverá ajuste de contas porque estamos em uma situação de guerra civil e o conflito só serviu para exacerbar as tensões veladas que existiam há muito tempo", disse à AFP um diplomata europeu especialista em Líbia.

Este clima pode alimentar forças capazes de colocar em perigo a unidade do país, que conta com dezenas de tribos com interesses divergentes. "A história mostra que quando a conquista do poder é alcançada através das armas e não de maneira pacífica, a legitimidade militar entra em contradição com a legitimidade democrática", explica Álvaro de Vasconcelos, presidente do Instituto de Segurança da União Europeia.

"Para evitar isso, é necessário integrar os diferentes componentes da sociedade líbia ao futuro governo de transição, incluindo forças islâmicas muito conservadoras ligadas ao Irmãos Mulçumanos, mas que não são violentas" e que segundo o especialista também têm direito a serem representadas. "O perigo é a CNT, em Benghazi, pensar que pode dominar o futuro governo de transição", e acrescenta ainda que o poder não pode ser monopolizado pelos representantes da região da Cirenaica (leste) sem incluir a oposição tripolitana (oeste).

Para o diplomata europeu, "o mais preocupante são as questões de segurança, pois existe muita gente no país cujos interesses são contrários a uma estabilização, começando pelos salafistas que possuem conexões com a AQMI", ramo da Al- Qaeda no Magreb islâmico. Enquanto a Otan se preocupou em bombardear a Líbia, a União Europeia, excluída dos conflitos, disse estar disposta a intervir agora para ajudar o país a construir instituições democráticas.

Segundo diplomatas, é provável que haja missões europeias para criar novas forças de segurança, como no Iraque e no Afeganistão, bem como uma força de observação no terreno para evitar o descontrole. "A Líbia necessita de uma transição ordenada e um Estado verdadeiramente democrático, a tarefa é imensa. A ONU e outros organismos devem ajudar", disse o chefe da diplomacia sueca, Carl Bildt.








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