A resolução recebeu 32 votos favoráveis, dos 33 membros ativos da organização durante Assembleia Geral Extraordinária. A única exceção foi o Equador, que se pronunciou contra. Com a decisão, a OEA busca encerrar as polêmicas sobre o golpe de 28 de junho em Honduras, que derrubou Zelaya e foi condenado por unanimidade pelo mundo como um retorno ao passado ditatorial da América Latina.
Para Honduras voltar ao "mapa" da organização teve de anistira o presidente deposto, que voltou do exílio na República Dominicana quatro dias atrás. Zelaya regressou como parte de um acordo de reconciliação firmado com o atual presidente, Porfirio Lobo, no dia 22 de maio, sob a mediação de Venezuela e Colômbia.
Contudo, para o Equador, "não estão dadas ainda as condições propícias e suficientes para o retorno de Honduras ao organismo, devido aos casos de violação dos direitos humanos e à falta de sanções contra os autores do golpe", enfatizou a representante do país, María Isabel Salvador.
A sessão da OEA começou três horas mais tarde do que o previsto devido às intensas negociações de última hora para conseguir o voto favorável do Equador, uma vez que a organização prefere tomar suas decisões por consenso. Desta vez, contudo, não obteve êxito.
A Venezuela votou a favor, mas "com reservas" porque não foram incluídas na resolução maiores garantias sobre a "necessidade de justiça para aqueles que perpetuaram o golpe de Estado e violaram os direitos humanos", protestou o chanceler do país, Nicolás Maduro. Ele disse ainda que havia recebido uma mensagem de Zelaya para que transmitisse publicamente sua "satisfação" com a decisão desta quarta-feira.
Será o povo hondurenho o maior beneficiado pelos mecanismos regionais para impulsionar seu desenvolvimento", disse a chanceler mexicana, Patricia Espinoza, sobre o reingresso de Honduras. Contudo, os acontecimentos de junho de 2009 "devem nos conduzir a refletir sobre a eficácia das ferramentas de que dispomos na OEA para prevenir situações similares no futuro", completou.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, tinha previsto participar da assembleia, mas não pôde comparecer por problemas de agenda. O reingresso de Honduras permitiu aos chanceleres abrir caminho para ao tema central da próxima assembleia, em São Salvador: a luta contra o crime organizado, que vem aterrorisando a América Central e ganhou características endêmicas em grandes nações como Brasil e Argentina.