O exército da Síria reforçou nesta quarta-feira o seu controle sobre a província de Aleppo, que fica na fronteira do país, com ajuda da aviação da Rússia, no décimo dia de sua ofensiva que já deixou 500 mortos e levou à fuga milhares de civis. A Turquia mantém sua fronteira fechada. No entanto, os ministros da Defesa da Otan se reúnem em Bruxelas para estudar o pedido de ajuda da Turquia, que abriga 2,7 milhões de refugiados sírios, e da Alemanha que recebeu em 2015 1,1 milhão de migrantes, para enfrentar a crise migratória.
No campo militar, combatentes do regime e rebeldes travavam intensas batalhas na região de Tamura enquanto a aviação russa realiza bombardeios contra várias localidades, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Desde o início da ofensiva, o regime de Damasco, apoiado pelo Hezbollah libanês e por milicianos iranianos, retomou vários setores no norte da província de Aleppo e cerca agora os insurgentes nos bairros do leste da cidade homônima, onde 350 mil civis vivem.
O regime também avança a Tall Rifaat, um dos três últimos redutos dos rebeldes, que costumam abandonar algumas posições para reduzir suas perdas. Segundo o OSDH, que possui uma ampla rede de fontes em todo o país, nestes dez dias de ofensiva 506 pessoas morreram em Aleppo, província do norte da Síria, incluindo 23 crianças, atingidas pelos bombardeios russos. "Ao menos 143 combatentes do regime, 274 rebeldes e jihadistas estrangeiros, assim como 89 civis morreram de 1º de fevereiro até a noite de terça-feira", indicou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.
Sangue, massacre e ruínas
Ao prosseguir com seus bombardeios, a Rússia ignora os apelos da ONU e dos Estados Unidos em favor de um cessar-fogo, e desmente que seus ataques matem civis. Embora as esperanças de resolver politicamente o conflito sejam mínimas, representantes de 17 países e de três organizações se encontrarão na quinta-feira em Munique para tentar reativar o processo diplomático, após o fracasso de Genebra no fim de janeiro.
Com os combates, dezenas de milhares de habitantes fugiram de suas casas na província de Aleppo à fronteira turca: a ONU calcula que são 31 mil, 80% dos quais mulheres e crianças. Mas a Turquia mantém fechado o posto fronteiriço de Oncupinar, único ponto de passagem acessível entre o norte da província de Aleppo e a Turquia, embora ele esteja aberto para feridos, doentes e comboios de ajuda.
Nesta quarta-feira, caminhões voltaram a passar para a Síria para levar ajuda aos sírios, enquanto os feridos foram internados em um hospital da localidade fronteiriça turca de Kilis. Abdel Karim Bahlul, um dos que conseguiram passar à Turquia, descreve uma "situação horrível em Tall Rifaat e nos povoados ao norte de Aleppo. "As crianças morrem sob os bombardeios, de fome e frio. As pessoas estão nas estradas, e não têm para onde ir. Os bombardeios russos pararam a vida em Tall Rifaat e em outros povoados. Só há sangue, massacres e ruínas", disse.
A Turquia, que já acolhe 2,7 milhões de refugiados sírios, teme um novo fluxo que pode ser de mais 600.000 pessoas. O objetivo de Ancara é, até o momento, manter esta onda de migrantes para além de suas fronteiras e conceder aos refugiados os serviços necessários. Por outro lado, a Turquia teme novos atentados cometidos por jihadistas procedentes da Síria. Quatro cinturões de explosivos foram descobertos pelo exército nas malas de um grupo de suspeitos interceptados em Karkamis (sudeste), na fronteira síria.
Ofensiva síria deixa mais de 500 mortos em Aleppo
Exército da Síria conta com a ajuda da aviação russa em bombardeios