A Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou o uso da primeira vacina contra a dengue, depois de investimentos pelo setor privado de 1,5 bilhão de euros durante 20 anos. Após uma reunião nesta sexta-feira, do Grupo de Especialistas sobre Imunização (Sage, na sigla em inglês), a entidade anunciou a recomendação do imunizante em locais onde a doença é endêmica.
A informação foi dada pelo presidente do grupo, John Abramson, que indicou que tem confiança no efeito da nova vacina, a Dengvaxia, produzida pela multinacional francesa Sanofi Pasteur. Sua aprovação, para a OMS e para a empresa, pode mudar a história do combate à doença.
No Brasil, no México, em El Salvador e nas Filipinas, os governos e agências de regulação já haviam dado sinal verde para o uso do produto. Agora, a OMS chancela a decisão. Mas, para Abramson, os governos devem usar o imunizante apenas em locais onde exista uma alta taxa de transmissão da dengue, e com surtos recorrentes. Um critério que deve ser usado, segundo a OMS, é de que o vírus tenha prevalência de mais de 50% na região afetada.
A ideia é que a vacina possa ser usada em programas de imunização. Segundo a recomendação da OMS, deve ser dada prioridade a crianças de 9 a 11 anos. Mas Abramson admitiu que a eficiência da vacina aumenta entre os mais velhos e terá de ser dada em uma série de três doses. "Nossas recomendações levam em conta o custo-benefício", indicou Joachim Hombach, outro integrante do Sage.
Segundo a Sanofi, a decisão vai abrir caminho para amplas campanhas de vacinação na América Latina e na Ásia. A cada ano, a dengue afeta 390 milhões de pessoas pelo mundo, dos quais 96 milhões precisam de tratamento - 500 mil são internados. A doença ainda é letal em 2,5% dos casos.
A decisão da OMS foi tomada depois da revisão de 25 estudos feitos pelo mundo, tanto em países endêmicos como em locais em que os casos não têm frequência elevada. De acordo com a empresa, um dos principais levantamentos mostrou que a vacina protegeu dois terços das pessoas vacinadas na América Latina, envolvendo mais de 40 mil crianças e adolescentes. No que se refere às formas mais severas da dengue, o produto teria sido eficiente em 93% dos casos, com uma redução de hospitalização de 80%.
Meta
Na avaliação da empresa, o novo produto deve permitir que os países onde a dengue é endêmica possam atingir os objetivos da OMS de reduzir em 50% a mortalidade até 2020. Os dados da Sanofi Pasteur indicam que, em 50 anos, os casos de dengue foram multiplicados por 30.
Especialistas também alertam que, com o aquecimento global e as mudanças em certos ambientes, a densidade do mosquito vetor do vírus deve se acentuar. A farmacêutica estima que 35 países devem autorizar o uso da vacina até o final do ano. A Sanofi garante a produção de 100 milhões de doses anuais.
OMS aprova o uso da 1ª vacina contra dengue no mundo
Setor privado investiu 1,5 bilhão de euros em pesquisas durante 20 anos