O calor sufocante que atinge o oeste da Europa, ligado às mudanças climáticas, vai se intensificar a partir desta segunda-feira (22), obrigando ao fechamento de escolas, ao cancelamento de trens e a uma maior vigilância nos hospitais.
Trata-se da segunda onda de calor a atingir milhões de europeus em menos de um mês. Segundo o consenso científico, a mudança climática provocada pela atividade humana torna mais intensos os fenômenos meteorológicos extremos. O novo episódio, mais duradouro que o de maio, lembra a onda de calor de agosto de 2003, que marcou a Europa com mais de 70.000 mortos ao longo de suas duas semanas de duração.
Emergências em alerta
A França é o epicentro nesta segunda-feira, com temperaturas previstas entre 36º e 43º. O serviço meteorológico Météo France decretou alerta vermelho, o máximo possível, em metade do país, onde vivem mais de 35 milhões de habitantes. Os termômetros não devem baixar antes do fim da semana.
No domingo, três idosos morreram em suas residências no sudoeste da França devido às altas temperaturas, segundo autoridades. Treze pessoas se afogaram durante o fim de semana em diferentes partes do país. A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, alertou para "um enorme aumento" no número de chamadas aos serviços de emergência, embora o sistema de saúde não esteja "particularmente sob tensão" por enquanto.
Aulas sufocantes
Mais de 800 das 60.000 escolas do país permanecerão fechadas nesta segunda-feira, enquanto outras 1.800 terão de ajustar seu horário de aulas, informou o Ministério da Educação.
Desde a semana passada, outros centros educativos vêm sugerindo aos pais que mantenham seus filhos em casa ou que os busquem na hora do almoço para tirá-los das salas de aula sufocantes. "Na semana passada, as crianças estavam a 32°C na sala de aula (...) Todo mundo acha que é normal, mas um dia acabaremos dando aula nos corredores do supermercado" em frente, lamentou uma professora de Bordeaux, que pediu para não ser identificada.
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Trens cancelados
A região de Paris cancelou preventivamente 10% dos trens. Na véspera, a companhia SNCF recomendou que pessoas "vulneráveis" os evitassem. Na estação de trem Saint-Charles de Marselha, no sudeste da França, as autoridades distribuíram garrafas de água, leques e chapéus aos passageiros antes de embarcarem no trem. "É preciso se hidratar", disse à AFP Mamone Outhaithany, uma enfermeira de 31 anos que, com um chapéu na cabeça, brincou que será "muito prático" para jogar a popular petanca.
Mais ao norte, na Bélgica, esta semana pode ser "a mais quente já registrada", com uma temperatura média superior a 27°C, segundo David Dehenauw, do instituto meteorológico IRM. Alguns trens em horário de pico foram cancelados nesta segunda e terça-feira neste pequeno país, onde esse tipo de transporte é muito popular, informou a SNCB, a companhia nacional de ferrovias.
Transmissão da Copa do Mundo cancelada
A onda de calor também atinge o restante da Europa, desde o Reino Unido, que decretou um incomum alerta vermelho por "calor extremo" na quarta na quinta-feira no sul, até os Bálcãs, onde o termômetro pode chegar a 38 ºC na Macedônia do Norte.
A Espanha enfrenta seu segundo dia de onda de calor, com valores "entre 5 e 10 graus superiores aos próprios desta época em geral", segundo Rubén del Campo, porta-voz da agência meteorológica espanhola Aemet. A região do País Basco, pouco habituada a temperaturas tão elevadas, pode ultrapassar os 40 ºC. As altas temperaturas já obrigaram, por precaução, ao cancelamento no domingo de eventos como a transmissão em telão da partida de futebol Espanha-Arábia Saudita no centro de Madri.
Em Portugal, foi decretado alerta laranja na terça-feira em três distritos do interior, enquanto os Países Baixos se encontram em "código amarelo", com temperaturas de até 37 ºC até o fim da semana.