Um número recorde de mulheres conquistou uma vaga no Congresso nas eleições dos Estados Unidos, incitadas pela antipatia ao presidente Donald Trump e encorajadas pelo movimento #MeToo, tornando o Partido Democrata mais diverso e jovem do que nunca. Entre as futuras ocupantes do Capitólio estão a congressista mais jovem já eleita no país, a nova-iorquina Alexandria Ocasio-Cortez, de 29 anos, Abby Finkenauer de Iowa, as duas primeiras legisladoras de origem indígena (Sharice Davids, do Kansas, e Debra Haaland, do Novo México), e as duas primeiras muçulmanas (a palestina-americana Rashida Tlaib e a somali-americana Ilhan Omar).
Os resultados ainda estão chegando, mas já se sabe que pelo menos 120 mulheres foram eleitas, um recorde de 98 para a Câmara de Representantes e 22 ao Senado, informou o Centro para a Mulher Americana e a Política da Universidade de Rutgers (CAWP).
O recorde anterior da Câmara era de 85 mulheres. Esta eleição representou um aumento na representação feminina de pelo menos 23%, embora os Estados Unidos continuem tendo muito menos mulheres no Legislativo do que a maioria dos países do mundo desenvolvido. "Quanto mais americanos votarem, mais nossos líderes eleitos se parecerão com os Estados Unidos", disse o ex-presidente Barack Obama, elogiando o recorde de mulheres, um aumento dos legisladores pertencentes a minorias e o recorde de participação nas eleições.
A ampla maioria de mulheres recém-eleitas é democrata. Fazem parte da lista veteranas de guerra, uma ex-agente da CIA, uma professora que cresceu com uma mãe dependente química, uma ex-garçonete e dezenas de candidatas novatas. Muitas se lançaram na política indignadas pela vitória de Trump sobre Hillary Clinton, considerada muitas vezes a candidata à Presidência mais qualificada da história, e derrotada apesar das acusações contra o bilionário de comportamento sexual indevido, que se gabou de poder pegar a mulher que quisesse, agarrando-a pelos genitais.
Outras estão em choque com o que consideram abusos do governo Trump: tentativas de limitar a cobertura de saúde, restringir o direito ao aborto, separar famílias imigrantes na fronteira ou ameaçar normas de proteção ambiental.
Onda democrata alavanca recorde de mulheres no Congresso dos EUA
Pelo menos 120 foram eleitas, 98 na Câmara e 22 no Senado